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Festa dos Vales |
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a
festa do povo! |
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Antropologia |
Antropologia (do grego
άνθρωπος, transl. anthropos, "homem", e
λόγος, logos, "razão"/"pensamento") é a
ciência preocupada em estudar o homem e a
humanidade de maneira totalizante, ou seja,
abrangendo todas as suas dimensões. A
divisão clássica da Antropologia distingue a
Antropologia Cultural da Antropologia
Biológica. Cada uma destas, em sua
construção abrigou diversas correntes de
pensamento.
Pode-se afirmar que há poucas décadas a
antropologia conquistou seu lugar entre as
ciências. Primeiramente, foi considerada
como a história natural e física do homem e
do seu processo evolutivo, no espaço e no
tempo. Se por um lado essa concepção vinha
satisfazer o significado literal da palavra,
por outro restringia o seu campo de estudo
às características do homem físico. Essa
postura marcou e limitou os estudos
antropológicos por largo tempo,
privilegiando a antropometria, ciência que
trata das mensurações do homem fóssil e do
homem vivo.
Divisões e campo
A Antropologia, sendo a ciência da
humanidade e da cultura, tem um campo de
investigação extremamente vasto: abrange, no
espaço, toda a terra habitada; no tempo,
pelo menos dois milhões de anos, e todas as
populações socialmente organizadas.
Divide-se em duas grandes áreas de estudo,
com objetivos definidos e interesses
teóricos próprios: a Antropologia Física (ou
Biológica) e a Antropologia Cultural, que se
centram no desejo do homem de conhecer a sua
origem, a capacidade que ele tem de conhecer-se,
nos costumes e no instinto.
Considerações
Para pensar as sociedades humanas, a
antropologia preocupa-se em detalhar, tanto
quanto possível, os seres humanos que as
compõem e com elas se relacionam, seja nos
seus aspectos físicos, na sua relação com a
natureza, seja na sua especificidade
cultural. Para o saber antropológico o
conceito de cultura abarca diversas
dimensões: universo psíquico, os mitos, os
costumes e rituais, suas histórias
peculiares, a linguagem, valores, crenças,
leis, relações de parentesco, entre outros
tópicos.
Embora o estudo das sociedades humanas
remonte à Antigüidade Clássica, a
antropologia nasceu, como ciência,
efetivamente, da grande revolução cultural
iniciada com o Iluminismo.
História da Antropologia
A construção do olhar antropológico e seus
principais debates. Embora a grande maioria
dos autores concorde que a antropologia se
tenha definido enquanto disciplina só depois
da revolução Iluminista, a partir de um
debate mais claro acerca de objeto e método,
as origens do saber antropológico remontam à
Antiguidade Clássica, atravessando séculos.
Enquanto o ser humano pensou sobre si mesmo
e sobre sua relação com "o outro", pensou
antropologicamente.
Primórdios
Homero, Hesíodo e os Filosófos
Pré-socráticos já se questionavam a respeito
do impacto das relações sociais sobre o
comportamento humano; ou vendo este impacto
como consequência dos caprichos dos deuses,
como enumera a Odisseia de Homero e a
Teogonia de Hesíodo, ou como construções
racionais, valorizando muito mais a
apreensão da realidade no dia a dia da
experiência humana, como preferiam os
Filosófos Pré-socráticos. Foi, sem dúvida,
na Antiguidade Clássica que a "medida
Humana" se evidenciou como centro da
discussão acerca do mundo. Os gregos
deixaram inúmeros registros e relatos acerca
de culturas diferentes das suas, assim como
os chineses e os romanos. Nestes textos
nascia, por assim dizer, a Antropologia, e
no século V a.C. um exemplo disto se revela
na obra de Heródoto, que descreveu
minuciosamente as culturas com as quais seu
povo se relacionava. Da contribuição grega
fazem parte também as obras de Aristóteles (acerca
das cidades gregas) e as de Xenofonte (a
respeito da Índia).
Entre os romanos merece destaque o poeta
Lucrécio, que tentou investigar as origens
da religião, das artes e se ocupou da
discurso. Outro romano, Tácito analisou a
vida das tribos germânicas, baseando-se nos
relatos dos soldados e viajantes. Salienta o
vigor dos germanos em contraste com os
romanos da sua época. Agostinho, um dos
pilares teológicos do Catolicismo, descreveu
as civilizações greco-romanas “pagãs”,
vistas como moralmente inferiores às
sociedades cristianizadas. Em sua obra já
discutia, de maneira pouco elaborada, a
possibilidade do “tabu do incesto” funcionar
como norma social, garantia da coesão da
sociedade. É importante salientar que
Agostinho, no entanto, privilegiou
explicações sobrenaturais para a vida
sociocultural.
Embora não existisse como disciplina
específica, o saber antropológico participou
das discussões da Filosofia, ao longo dos
séculos. Durante a Idade Média muitos
escritos contribuíram para a formação de um
pensamento racional, aplicado ao estudo da
experiência humana, como é o fez o
administrador francês Jean Bodin, estudioso
dos costumes dos povos conquistados, que
buscava, em sua análise, explicações para as
dificuldades que os franceses tinham em
administrar esses povos. Com o advento do
movimento iluminista, este saber foi
estruturado em dois núcleos analíticos: a
Antropología Biológica (ou Física), de modo
geral considerada ciência natural, e a
Antropologia Cultural, classificada como
ciência social.
O século XVIII
Até o século XVIII, o saber antropológico
esteve presente na contribuição dos
cronistas, viajantes, soldados, missionários
e comerciantes que discutiam, em relação aos
povos que conheciam, a maneira como estes
viviam a sua condição humana, cultivavam
seus hábitos, normas, características,
interpretavam os seus mitos, os seus rituais,
a sua linguagem. Só no século XVIII, a
Antropologia adquire a categoria de ciência,
partindo das classificações de Carlos Lineu
e tendo como objeto a análise das "raças
humanas".
O legado desta época foram os textos que
descreviam as terras, a (Fauna, a Flora, a
Topografia) e os povos “descobertos” (Hábitos
e Crenças). Algumas obras que falavam dos
indígenas brasileiros, por exemplo, foram: a
carta de Pero Vaz de Caminha (“Carta do
Descobrimento do Brasil”), os relatos de
Hans Staden, “Duas Viagens ao Brasil”, os
registros de Jean de Léry, a “Viagem a Terra
do Brasil”, e a obra de Jean Baptiste Debret,
a “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil.
Além destas, outras obras falavam ainda das
terras récem-descobertas, como a carta de
Colombo aos Reis Católicos. Toda esta
produção escrita levantou uma grande
polémica acerca dos indígenas. A
contribuição dos missionários jesuítas na
América (como Bartolomeu de Las Casas e
Padre Acosta) ajudaram a desenvolver a
denominada “teoria do bom selvagem”, que via
os índios como detentores de uma natureza
moral pura, modelo que devia ser assimilado
pelos ocidentais. Esta teoria defendia a
idéia de que cultura mais próxima do estado
"natural" serviria de remédio aos males da
civilização.
O século XIX
No Século XIX, por volta de 1840, Boucher de
Perthes utiliza o termo homem pré-histórico
para discutir como seria sua vida cotidiana,
a partir de achados arqueológicos, como
utensílios de pedra, cuja idade se estimava
bastante remota. Posteriormente, em 1865,
John Lubock reavaliou numerosos dados acerca
da Cultura da Idade da Pedra e compilou uma
classificação em que enumerava as diferenças
culturais entre o Paleolítico e Neolítico.
Com a publicação de dois livros, A Origem
das Espécies, em 1859 e A descendência do
homem, em 1871, Charles Darwin principia a
sistematização da teoria evolucionista.
Partindo da discussão trazida à tona por
estes pesquisadores, nascia a Antropologia
Biológica ou Antropologia Física
A antropologia evolucionista
Marcada pela discussão evolucionista, a
antropologia do Século XIX privilegiou o
Darwinismo Social, que considerava a
sociedade europeia da época como o apogeu de
um processo evolucionário, em que as
sociedades aborígenes eram tidas como
exemplares "mais primitivos". Esta visão
usava o conceito de “civilização” para
classificar, julgar e, posteriormente,
justificar o domínio de outros povos. Esta
maneira de ver o mundo a partir do conceito
civilizacional de superior, ignorando as
diferenças em relação aos povos tidos como
inferiores, recebe o nome de etnocentrismo.
É a «Visão Etnocêntrica», o conceito europeu
do homem que se atribui o valor de “civilizado”,
fazendo crer que os outros povos, como os
das Ilhas da Oceania estavam “situados fora
da história e da cultura”. Esta afirmação
está muito presente nos escritos de Pauw e
Hegel.
Teoria
Com fundamento nestas concepções, as
primeiras grandes obras da antropologia,
consideravam, por exemplo, o indígena das
sociedades não europeias como o primitivo, o
antecessor do homem civilizado: afirmando e
qualificando o saber antropológico como
disciplina, centrando o debate no modo como
as formas mais simples de organização social
teriam evoluido, de acordo com essa linha
teórica essas sociedades caminhariam para
formas mais complexas como as da sociedade
europeia.
Nesta forma de apreender a experiência
humana, todas as sociedades, mesmos as
desconhecidas, progrediriam em ritmos
diferentes, seguindo uma linha evolutiva.
Isso balizou a idéia de que a demanda
colonial seria "civilizatória", pois levaria
os povos ditos "primitivos" ao "progresso
tecnológico-científico" das sociedades tidas
como "civilizadas". Há que ver estes
equívocos como parte da visão de mundo que
pretendiam estabelecer as diretrizes de uma
lei universal de desenvolvimento.
Mas não se pode generalizar e atribuir as
características acima a todos os autores que
se aparentaram a essa corrente. Cada autor
tem suas próprias nuances. Durkheim, por
exemplo, procurou nas manifestações
totêmicas dos nativos australianos a forma
mais simples e elementar de religiosidade,
mas não com o pensamento enquadrado numa
linha evolutiva cega: se nossa sociedade era
dita mais complexa ele atribuía isso às
diversas tendências da modernidade de que
somos fruto, e a dificuldade de determinar
uma tendência pura na nossa religião,
escamoteada por milhares de anos de teologia.
Método
O método concentrava-se numa incansável
comparação de dados, retirados das
sociedades e de seus contextos sociais,
classificados de acordo com o tipo (religioso,
de parentesco, etc), determinado pelo
pesquisador, dados que lhe serviriam para
comparar as sociedades entre si, fixando-as
num estágio específico, inscrevendo estas
experiências numa abordagem linear,
diacrônica, de modo a que todo costume
representasse uma etapa numa escala
evolutiva, como se o próprio costume tivesse
a finalidade de auxiliar esta evolução.
Entendiam os evolucionistas que os costumes
se demarcavam como substância, como
finalidade, origem, individualidade e não
como um elemento do tecido social,
interdependente de seu contexto.
Pensadores
Vale ressaltar que apesar da maior parte dos
evolucionistas terem trabalhado em gabinetes,
um dos mais conhecidos pensadores dessa
corrente, Lewis Henry Morgan, tinha contato
com diversas tribos do norte dos Estados
Unidos. É absurdo creditar a autores dessa
corrente uma compilações cega das culturas
humanas, isso seria uma simplificação enorme,
ao mesmo tempo que se deixaria de aproveitar
esses estudos clássicos da antropologia. e
separado por muito tempo.
A antropologia difusionista
A Antropologia Difusionista reagiu ao
evolucionismo e foi sua contemporânea.
Privilegiava o entendimento da natureza da
cultura, em termos de origem e extensão, de
uma sociedade a outra. Para os difusionistas,
o empréstimo cultural seria um mecanismo
fundamental de evolução cultural. O
difusionismo acreditava que as diferenças e
semelhanças culturais eram consequência da
tendência humana para imitar e a absorver
traços culturais, como se a humanidade
possuísse uma "unidade psíquica", tal como
defendeia Bastian.
Representantes e obras
Friedrich Ratzel
Grafton Elliot Smith
William James Perry
William H. R. Rivers
Fritz Graebner - Methode del Ethnologie,
1891
Fr. Wilhelm Schmidt, fundador da revista
Anthropos
O surgimento da "linhagem francesa"
Com Émile Durkheim começam os fenómenos
sociais a serem definidos como objetos de
investigação socioantropológica e, a partir
da análise da publicação de Regras do "Método
Sociológico", em 1895, começa-se a pensar
que os fatos sociais seriam muito mais
complexos do que se pretendia até então. No
final do século XIX, juntamente com Marcel
Mauss, Durkhéim se debruça nas
representações primitivas, estudo que
culminará na obra "Algumas formas primitivas
de classificação", publicada em 1901.
Inaugura-se então a denominada "linhagem
francesa" na Antropologia.
O século XX
Com a publicação, de “As formas elementares
da vida religiosa” em 1912, Durkheim, ainda
apegado ao debate evolucionista, discute a
temática da religião. Marcel Mauss publica
com Henri Hubert, em 1903, a obra Esboço de
uma teoria geral da magia, aonde forja o
conceito de mana. Inicialmente centrada na
denominada “Etnologia”, a Antropologia
Francesa, arranca, como disciplina de ensino,
no “Institut d´Ethnologie du Musée de
l´Homme” em Paris, a partir de 1927. No
início, a disciplina se vinculara ao Museu
de História Natural, porque se considerava a
antropologia como uma subdisciplina da
história natural. Ainda existia um
determinismo biológico, segundo o qual se
considerava que as diferenças culturais eram
fruto das diferenças biológicas entre os
homens.
Nos EUA, Franz Boas desenvolve a idéia de
que cada cultura tem uma história particular
e considerava que a difusão de traços
culturais acontecia em toda parte. Nasce o
relativismo cultural, e a antropologia
estende a investigação ao trabalho de campo.
Para Boas, cada cultura estaria associada à
sua própria história. Para compreender a
cultura é preciso reconstruir a sua própria
história. Surgia o Culturalismo, também
conhecido como Particularismo Histórico.
Deste movimento surgiria posteriormente a
escola antropológica da Cultura e
Personalidade.
Paralelamente a estes movimentos, na
Inglaterra, nasce o Funcionalismo, que
enfatiza o trabalho de campo (observação
participante). Para sistematizar o
conhecimento acerca de uma cultura é preciso
apreendê-la na sua totalidade. Para elaborar
esta produção intelectual surge a etnografia.
As instituições sociais centralizam o
debate, a partir das funções que exercem na
manutenção da totalidade cultural.
A antropologia funcionalista
O Funcionalismo inspirava-se na obra de
Durkheim. Advogava um estreito paralelismo
entre as sociedades humanas e os organismos
biológicos (na forma de evolução e
conservação) porque em ambos os casos a
harmonia dependeria da inter-dependência
funcional das partes. As funções eram
analisadas como obrigações, nas relações
sociais. A função sustentaria a estrutura
social, permitindo a coesão, fundamental,
dentro de um sistema de relaçoes sociais.
Representantes e principais obras
Bronislaw Malinowski, Os Argonautas do
Pacífico Ocidental - 1922.
Bronislaw Malinowski, Uma teoria científica
da cultura
Radcliffe Brown, Estrutura e função na
sociedade primitiva - 1952 e Sistemas
Políticos Africanos de Parentesco e
Casamento, org. c/ Daryll Forde - 1950.
Evans-Pritchard Bruxaria, oráculos e magia
entre os Azande - 1937 e Os Nuer - 1940.
Raymond Firth Nós, os Tikopia - 1936 (We,
The Tikopia) e Elementos de organização
social - 1951.
Max Glukman Ordem e rebelião na África
tribal - 1963.
Victor Turner Cisma e continuidade em uma
sociedade africana - (Schism and Continuity
in an African Society: A Study of Ndembu
Village Life) 1957 Ed. brasileira 2005,
EDUFF; O processo ritual - 1969.
Edmund Leach - Sistemas políticos da Alta
Birmânia (Political Sistems of Highland
Burma: A Study of Kachin Social Structure) -
1954. Ed. brasileira 1996, EDUSP.
A antropologia estrutural
A Antropologia Estrutural nasce na década de
40. O seu grande teórico é Claude
Lévi-Strauss. Centraliza o debate na idéia
de que existem regras estruturantes das
culturas na mente humana, e assume que estas
regras constroem pares de oposição para
organizar o sentido.
Para fundamentar o debate teórico,
Lévi-Strauss recorre a duas fontes
principais: a corrente psicológica criada
por Wilhelm Wundt e o trabalho realizado no
campo da lingüistica, por Ferdinand de
Saussure, denominado Estruturalismo.
Influenciaram-no, ainda, Durkheim, Jakobson
(teoria linguística), Kant (idealismo) e
Marcel Mauss.
Ideias centrais
Para a Antropologia Estrutural as culturas
definem-se como sistemas de signos
partilhados e estruturados por princípios
que estabelecem o funcionamento do intelecto.
Em 1949 Lévi-Strauss publica “As estruturas
elementares de parentesco”, obra em que
analisa os aborígenes australianos e, em
particular, os seus sistemas de matrimônio e
parentesco. Nesta análise, Lévi-Strauss
demonstra que as alianças são mais
importantes para a estrutura social que os
laços de sangue. Termos como exogamia,
endogamia, aliança, consaguinidade passam a
fazer parte das preocupações etnográficas.
Autores e obras
Claude Lévi-Strauss
As estruturas elementares do parentesco -
1949.
Tristes Trópicos - 1955.
Pensamento selvagem - 1962.
Antropologia estrutural - 1958
Antropologia estrutural dois - 1973
O cru e o cozido - 1964
Do mel às cinzas - 1966
A origem das maneiras de mesa - 1968
O Homem Nu - 1971
Lévi-Bruhl
Marcel Griaule
Dieux d´Eau
Marcel Griaule e Germaine Dieterlen
Le Renard Pâle
O particularismo histórico
Também conhecida como Culturalismo, esta
escola estadunidense, defendida por Franz
Boas, rejeita, de maneira marcante, o
evolucionismo que dominou a antropologia
durante a primeira metade do século XX.
Principais idéias
A discussão desta corrente gira em torno da
idéia de que cada cultura tem uma história
particular e de que a difusão cultural se
processa em várias direções. Cria-se o
conceito de relativismo cultural, vendo
também a evolução como fenômeno que pode
decorrer do estado mais simples para o mais
complexo.
Representantes
Franz Boas
C. Wissler
A. Kroeber
R. Lowie
A escola de cultura e personalidade
Criada por estudiosas estadunidenses,
díscípulos de Franz Boas, influenciadas pela
Psicanálise e pela obra de Nietzsche, esta
escola concebe a cultura como detentora de
uma “Personalidade de base”, partilhada por
todos os membros. Estabelece uma tipologia
cultural. Haveria culturas: dionisíacas (centradas
no extâse) e apolíneas (estruturadas no
desejo de moderação); pré-figurativas,
pós-figurativas, co-figurativas.
Representantes
Ruth Benedict
Margaret Mead
Gregory Bateson
R. Linton
A. Kardiner
A antropologia interpretativa
Com cerca de vinte livros publicados,
Clifford Geertz é provavelmente, depois de
Claude Lévi-Strauss, o antropólogo cujas
idéias causaram maior impacto na segunda
metade do século XX, não apenas no que se
refere à própria teoria e à prática
antropológica mas também fora de sua área,
em disciplinas como a psicologia, a história
e a teoria literária. Considerado o fundador
de uma das vertentes da antropologia
contemporânea - a chamada Antropologia
Hermenêutica ou Interpretativa.
Geertz, graduado em filosofia, inglês, antes
de migrar para o debate antropológico,
obteve seu PhD em Antropologia em 1956 e
desde então conduziu extensas pesquisas de
campo, nas quais se fundamentam seus livros,
escritos essencialmente sob a forma de
ensaio. As suas principais pesquisas foram
feitas na Indonésia e em Marrocos. Desiludiu-se
com a metodologia antropológica, para Geertz
excessivamente abstrata e de certa forma
distanciada da realidade encontrada no
campo, o que o levou a elaborar um método
novo de análise das informações obtidas
entre as sociedades que estudava. Seu
primeiro estudo tinha por objetivo entender
a religião em Java.
Por fim foi incapaz de se restringir a
apenas um aspecto daquela sociedade, que ele
achava que não poder ser extirpado e
analisado separadamente do resto,
desconsiderando, entre outras coisas, a
própria passagem do tempo. Foi assim que ele
chegou ao que depois foi apelidada de
antropologia hermenêutica. Sua tese começa
defendendo o estudo de "quem as pessoas de
determinada formação cultural acham que são,
o que elas fazem e por que razões elas crêem
que fazem o que fazem".
Uma das metáforas preferidas de Geertz, para
definir o que fará a Antropologia
Interpretativa, é a leitura das sociedades
enquanto textos ou como análogas a textos. A
interpretação ocorre em todos os momentos do
estudo, da leitura do "texto", pleno de
significado, que é a sociedade na escrita do
texto/ensaio do antropólogo, por sua vez
interpretado por aqueles que não passaram
pelas experiências do autor do texto escrito.
Todos os elementos da cultura analisada
devem portanto ser entendidos à luz desta
textualidade, imanente à realidade cultural.
Idéias centrais
A Antropologia Interpretativa analisa a
cultura como hierarquia de significados,
pretendendo que a etnografia seja uma “descrição
densa”, de interpretação escrita e cuja
análise é possível por meio de uma
inspiração hermenêutica. É crucial a leitura
da leitura que os “nativos” fazem de sua
própria cultura
Representantes e obras
Geertz
Observando o Islão - 1968 Ed. brasileira
2004
A interpretação das culturas - 1973. Ed.
brasileira 1979 (condensada)
Saber local - 1983 Ed. brasileira 2004
Nova Luz Sobre a Antropologia - 2000 Ed.
brasileira 2001
Antropologia das Emoções
Antropologia e Psicanálise
Antropologia da Arte
Antropologia da Imagem
Antropologia Visual e da Imagem
Antropologia Médica e da Saúde
Outros movimentos
Outros movimentos significativos, na
história do século XX, para a teoria
Antropológica foram as escolas Cognitiva,
Simbólica e Marxista.
Debates pós-modernos
Na década de 80, o debate téorico na
Antropologia ganhou novas dimensões. Muitas
críticas a todas as escolas surgiram,
questionando o método e as concepções
antropológicas. No geral, este debate
privilegiou algumas idéias: a primeira delas
é que a realidade é sempre interpretada, ou
seja, vista sob uma perspectiva subjetiva do
autor, portanto a antropologia seria uma
interpretação de interpretações. Da crítica
das retóricas de autoridade clássicas,
fortemente influenciada pelos estudos de
Foucault, surgem metaetnografias, ou seja, a
análise antropológica da própria produção
etnográfica. Contribuiu muito para esta
discussão a formação de antropólogos nos
países que então eram analisados apenas
pelos grandes centros antropológicos.
Idéias centrais
Privilegia a discussão acerca do discurso
antropológico, mediado pelos recursos
retóricos presentes no modelo das
etnografias.
Politiza a relação observador-observado na
pesquisa antropológica, questionando a
utilização do "poder" do etnógrafo sobre o "nativo".
Crítica dos paradigmas teóricos e da “autoridade
etnográfica” do antropólogo. A pergunta
essencial é:'quem realmente fala em
etnografia? O nativo? Ou o nativo visto pelo
prisma do etnógrafo?
A etnografia passa a ser desenvolvida como
uma representação polifónica da polissemia
cultural, e nela deveriam estar claramente
presentes as vozes dos vários informantes.
Principais representantes e obras
James Clifford
Georges Marcus
Paul Rabinow
D. Tedlock
Richard Price
Michel Taussig
Xamanismo, Colonialismo e o Homem Selvagem,
1987
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