Festa dos Vales

a festa do povo!

Cultura Árabe

 

Idade Média, no século VI os árabes absorviam o conhecimento da antiga Pérsia em conjunto com a herança do conhecimento helênico.
Isto fez com que talvez pela primeira vez na história tenha acontecido uma harmonização em um todo da ciência com a filosofia, a teologia e a matemática.
Com a expansão do Islã por fronteiras distantes como a Índia e a Península Ibérica, o caldo de culturas resultante tornou-se extremamente propício para o desenvolvimento do conhecimento.
A efervescência cultural desse período permitiu notáveis avanços nas artes e nas ciências. Em particular, no campo da matemática, dois fatos importantes ocorridos no âmbito da cultura árabe mudaram a forma de o mundo realizar cálculos e expressar os números. No século VII um matemático muçulmano da Índia criou o conceito do "zero". No século IX, um dos maiores matemáticos de todos os tempos, Al-Khwarizmi, escreveu sua principal obra onde formalizou o conceito de notação posicional. Esses conceitos tiveram seu impacto sobre o mundo da época amplificado e seu espalhamento acelerado graças à invasão árabe e à popularização dos algarismos arábicos, cujos símbolos tinham sua memorização facilitada pelo fato de a figura de cada dígito possuir o mesmo número de ângulos de seu valor.
Nesta época, surgiram vários cientistas e matemáticos notáveis no mundo árabe como, por exemplo:
Abu al-Qasim Maslamah al-Majriti (de Madrid), foi o mais antigo astrônomo árabe-espanhol.
Ibn Sina, conhecido mais comumente por Avicena, cujo trabalho mais consagrado é "Al-Qanun Fil-Tibb", ou "O Cânone da Medicina". Tendo sido um dos maiores nomes da história da Medicina, Avicena foi também chamado de o "Príncipe da Medicina".

O MUNDO ÁRABE NO SÉCULO XX


A parte do mundo que se costuma designar genéricamente como Oriente Médio pode ser dividida em duas grandes regiões: a Ásia Ocidental e a Península Arábica.
Os principais pontos em comum no mundo árabe são a língua, a religião e as tradições islâmicas.
Além disso, quase todos os países da região têm sua economia assentada na exportação de petróleo e um passado de traços coloniais: nem todos, é bem verdade, foram colonizados no sentido estrito da palavra; mas, sua história foi largamente condicionada pela presença européia, sobretudo a francesa e inglesa. Separados por inúmeras divergências, os árabes costumam unir-se apenas quando se trata de enfrentar um inimigo comum: O Estado de Israel.

UM POUCO DA HISTÓRIA


A leste do Mediterrâneo, existe uma região, que, devido ao formato arqueado e à fertilidade de sua terra, fiou conhecida desde a Antiguidade pelo significativo nome de "crescente fértil".
Foi ali, que há alguns milênios antes de Cristo, as atividades humanas passaram por uma fantástica evolução, talvez a mais importante da História do Homem. Enquanto os babilônios construíam um dos promeiros grandes impérios agrícolas na Mesopotâmia, os fenícios partiam das costas do atual Líbano para criar uma rede de entrepostos comerciais que cobria quase todo o Mediterrâneo. Ao mesmo tempo, a região era palcode extraordinários progressos técnicos e científicos, e avançava-se nos campos da Arte, da Religião e do Direito.
Mais tarde, a difusão das civilizações grega, primeiro, e romana, depois, deu início a uma profunda transformação das civilizações asiáticas, que conservaram mesmo assim, uma notável vitalidade. A partir do século XII, porém, seu declínio assumiu proporções dramáticas. As invasões de mongóis e otomanos influíram decicivamente na história dos diversos países da região. Possivelmente, mais graves ainda foram os danos provocados pela destruição de significativa parte da cobertura florestal e pela deterioração da delicada rede de canais qua drenavam os pântanos e preveniam as grandes cheias dos rios_ prejuízo acentuado pela progressiva aridez do clima. assim no início do século XX, a vegetação e os cultivos haviam diminuído substancialmente, na mesma medida em que se ampliaram os seus desertos.

A ÁSIA OCIDENTAL


Os países da Ásia Ocidental aqui referidos_ Chipre, Líbano, Síria, Jordânia e Iraque ( Turquia, Israel e Irã serão comentados em outra oportunidade),_ alcançaram a independência neste século. Com exceção de Chipre, de cultura sobretudo grega e religião cristã ortodoxa, eles herdaram do passado uma língua, o árabe, e uma religião, o islamismo, comuns.
Em 1948, a criação do Estado de Israel em meio a esse mundo árabe deu início a guerras contínuas, nas quais se perderam vidas terras e recursos. Além disso, o abrigo dado por países árabes a centenas de milhares de refugiados palestinos ( expulsos da Palestina pelos israelenses) perturbou o delicado equilíbrio político e econômico da região, acarretando guerras civis em virtude das próprias divisões sociais e religiosas internas.
Mas a despeito dessas disputas históricas, a Ásia Ocidental tem seuspontos fortes, como por exemplo, a Síria, que apesar da aridez do solo e do clima, tem na agricultura metade da população ativa, sem contar as indústrias alimentícias e texteis, que são numerosas e fortes; o petróleo garante 3/4 das exportações iraquianas.

CULTURA EGÍPCIA


EGITO ONTEM
No Antigo Egito ( localizado no nordeste da África , era uma estreita faixa de terra fértil em meio a desertos ) , havia uma organização política complexa e poderosa : '' O Estado " .
O soberano máximo era o faraó e a política estava estreitamente ligada à religião .
No vale do Rio Nilo , há cerca de seis mil anos , iniciava se o desenvolvimento da civilização egípcia . As cheias do Nilo deixavam às sua margens um limo fertilizante que permitia ao solo produzir os cereais necessários . Por volta de 4000 a . c. , os egípcios já constituíam uma sociedade organizada .
Neste período Pré Dinástico , os primitivos habitantes formaram clãs ; os clãs se uniram e em grupos maiores e formaram nomos ( pequenos estados independentes ) . Por meio de guerras e tratados , os nomos formaram dois reinos : o do Baixo Egito e o do Alto Egito .Depois de uma longa guerra entre os dois reinos , o rei do Alto Egito , Menés , conquistou o Baixo Egito , unificando os dois reinos . O monarca recebeu o título de faraó e foi o fundador da primeira dinastia . A capital do reino unificado era Mênfis .
O Antigo Império ( 3200 a . c. a 2300 a . c. ) foi marcado pela construção das três mais importantes pirâmides do Egito . Os faraós adquiriram um grande poder nesta época .
No final do Antigo Império , o poder faraônico declinou . Os sacerdotes e os nobres disputaram o poder . Povos estrangeiros ocuparam o Delta do Nilo e alguns de seus soldados foram empregados no exército como mercenários .
O Médio Império ( 2100 a . c . a 1580 a . c . ) foi iniciado pelos príncipes da cidade de Tebas , que se tornou capital . Pouco depois tiveram início guerras internas que facilitaram a invasão do Egito pelo povo hicso .
Os egípcios aprenderam , com os invasores , técnicas de guerra mais modernas . Aprenderam , também , a utilizar cavalos . Neste período , ocorreu a entrada dos hebreus no Egito , que foram posteriormente , escravizados . Conseguiram , porém sair do Egito sob o comando de Moisés . Episódio narrado na Bíblia no livro de Êxodo .
O Novo Império ( 1580 a . c . a 525 a . c . ) iniciou se com a expulsão dos hicsos pelos príncipes de Tebas . Após muitas conquistas militares , o Egito se transformou em poderoso império . Com destaques dos faraós Tutmés III e Ramsés II .
Na época da expansão territorial , os povos dominados eram obrigados a pagar tributos ; com esta riquezas , foram construídos grandes templos .
No final do Novo Império , novas invasões produziram o desmembramento e a decadência . Em 525 a . c . , o faraó Psamético III foi aprisionado e derrotado pôr Cambises , rei dos persas . Após o domínio persa , o Egito foi conquistado pelos gregos e pelos romanos .

A RELEGIÃO NO ANTIGO EGITO
Havia , no Egito , uma relação profunda de religião com a arte , a literatura , a filosofia e a política .
A religião política e politeísta antropozoomórfica ( Politeísmo : religião em que há um grande número de deuses ; antropozoomorfismo : os deuses eram identificados com formas humanas e/ou de animais ) . O culto era mais importante do que as crenças .
Os egípcios acreditavam que os deuses comandavam o Universo , interferindo na vida humana a todo instante.
No período Pré Dinástico , cada nomo tinha o seu deus próprio , o deus protetor . Ocorrida a unificação política , vários deles desapareceram , enqüanto outros ficaram mais conhecidos . É o caso , por exemplo de Amon Rá , deus sol , deus carneiro de Tebas . Havia , ainda , os deuses cósmicos : Num , o oceano ; Nuit , céu ; Geb , terra ; Iâh , lua ; que quase não tinham culto , uma vez que não eram protetores especiais de região alguma .
Algumas seitas estrangeiras foram aceitas no Egito , como por exemplo , a do deus Baal , da Fenícia . Havia o culto a homens divinizados e a animais .
No Egito , houve uma tentativa de transformar o politeísmo em monoteísmo . Sem sucesso . O faraó Amenófis IV , influenciado por religiões estrangeiras e ansioso por diminuir o poder dos sacerdotes , provocou uma revolução religiosa proclamando Atón ( sol ) o deus único .
Os egípcios acreditavam na vida extra terrena , na imortalidade . Daí a necessidade da conservação do corpo através da mumificação . Devido aos altos custos , apenas uma pequena camada da população tinha acesso aos cuidados especiais que eram dispensados aos mortos . Cosmogonias e Teologias Uma cosmogonia que data do Antigo Império , põe nos em presença de Rá / Atum , que cria Shu (ar ) e Tefnut ( umidade ) , que produzem Geb ( terra ) e Nuit (céu ) . Por sua vez , estes dão origem a Osíris , Seth , Ísis e Nefth . O rei justo da Terra , Osíris foi morto por seu irmão Seth , que o despedaçou em 14 pedaços e jogou ao longo do Rio Nilo . Ísis , foi em busca dos pedaços do esposo , reuniu os , com exceção do falo , ressuscitou Osíris e concebeu um filho dele ( ainda que sem falo , mas tão somente com a energia espiritual ) , Hórus , o deus falcão , que travou uma luta com Seth que durou 80 anos e vingou o pai com o quem o faraó se identifica . Como na Mesopotâmia , cada templo das grandes cidades , sedes do poder , criava sua própria cosmogonia com o deus local no ápice da hierarquia . O ovo do qual saíra o Criador provinha do lago de Hermópolis .Ele emergia do caos aquático expresso por quatro seres : ocultação , trevas , estado amorfo e abismo aquoso .
Em Heliópolis , surgira das águas uma colina primordial de areia , ainda visível no local onde o mundo começava . Quanto aos atos cosmogânicos , os mais rudes , como a masturbação do deus criador , eram muito valorizados ,mas nos principais centros religiosos surgiram teorias mais refinadas . Foi assim que numa tradição mais tardia , Ptah concebe Atum no coração e cria o pronunciando seu nome . Esse mito tornava Ptah superior a Atum e da mesma maneira Rá era superior a Atum , em virtude de sua posição anterior na cosmogonia .
O mundo , segundo os egípcios era achatado e sustentava o céu , cuja forma de tigela invertida era , às vezes , a parte de baixo da vaca Háthor ou a parte de frente da deusa Nuit , que todas as noites engole o sol . Grande número de deuses têm formas de animais , o que não implica a adoração dos mesmos , mas talvez , o reconhecimento de uma autoridade essencial e mais profunda ou uma inteligência das qualidades arquetípicas das coisas vivas .
A natureza proteiforme dos deuses egípcios é enigmática . São eles que criam os seres humanos , produzidos pela palavra de Ptah ou modelados no torno do oleiro . O espírito se conservará enquanto existir seu suporte físico . Essa preocupação com a subsistência faz com que a inumação ( sepultamento ) , segundo os ritos seja preferível à existência terrestre , mesmo confortável . As tumbas são mais importantes que as casas suntuosas e é impensável economizar em detrimento dos sacerdotes funerários .

Osíris
Antigo rei do Egito , dedicou se a melhorar os costumes selvagens de seus súditos , ensinou lhes o cultivo dos campos e deu lhes sábias leis . Quando pensou que sua obra estava terminada , entregou a administração dos assuntos de governo à sua esposa Ísis , e , acompanhado de seu filho Hórus , foi estendendo aos demais países os benefícios da agricultura , as leis e a religião . Visitou a Etiópia , a Arábia e a Índia , fazendo se amado e admirado pôr toda parte . Tífon ( Seth ) , seu irmão , sequioso pôr poder , matou o arrojando seu corpo ao Nilo . Ísis , querendo dar sepultura ao corpo de seu esposo , partiu em busca de seu cadáver , e , após muitas buscas , foi encontrá lo em Biblos , cidade fenícia , para onde as ondas o haviam carregado . Ísis , para vingar a morte de Osíris , reuniu um exército contra Seth , que foi vencido . À sua morte , os egípcios elevaram na à categoria de deusa sob figura de uma vaca e lhe deram o título de mãe de todas as coisas e de deusa universal . Para os egípcios , Osíris é o Sol e Ísis é a Lua .

Ísis
Divindade egípcia , chamada Sait , Tsit ou Iaset , irmã e mulher de Osíris , mãe de Hórus . Deusa da medicina , do casamento , da cultura do trigo , da magia ; personifica a primeira civilização egípcia .

Hórus
Filho de Ísis e Osíris , era uma divindade egípcia , representado por um falcão .

DEUSES EGÍPCIOS
Amon - Deus dos deuses

Ré - Deus do sol

Osíris - Deus dos mortos e do renaiscimento

Seth - Deus que matou seu irmão Osíris

Maát - Deusa da justiça

Anúbis - Deus do embalsamamento e da morte

Isis - A deusa modelo para mães e esposas

Neftis - A deusa protetora de túmulos

Hathor - Deusa da alegria e da festa

Hórus - Deus criador do universo

Ptah - Deus criador dos homens e da arte

Neith - Deusa geurreira

Thot - Deus da escrita e dos escribas

Atum - Em Heliópolis é o rei de todos os deuses

Sekhmet - Deusa responsavel pelas epidemias e mortes

Amenófis I - Rei divinizado

Bés - Deus protetor dos sonhos

Meretseger - Protetora dos mortos


EGITO HOJE
Oficialmente República Árabe do Egito (R.A.E.), Estado da África,
1.000.000 de km2;
População: 58.300.000 hab.
Cap.: Cairo
Língua: árabe.
Religião: 80% islâmica (principalmente sunita)
Moeda: Libra egípcia
Pouca chuva cai sobre o Egito, então quase todos moram ao longo da única fonte de água,
o Rio Nilo. Este rio toca em apenas 4% das terras do Egito, fazendo do Egito um dos lugares
mais abarrotadas do mundo. Cairo, a capital da nação, é a maior cidade árabe e a maior
cidade da África. É tão apinhada que as pessoas moram em prédios cuja construção nem está
terminada ainda. Apesar de tudo, os egípcios são conhecidos por seu ótimo senso de humor e
hospitalidade.

A maioria dos egípcios descende dos antigos egípcios e dos invasores árabes do século VII,
que se espalharam numa área que hoje é conhecida por Arábia Saudita. Além de ter a maior
população árabe do mundo, o Egito também é a liderança política e o Cairo um centro de
cultura muçulmana e aprendizado. A maioria dos egípcios é muçulmano.

ISLAMISMO, ATUALMENTE A RELIGIÃO QUE MAIS CRESCE NO MUNDO


Introdução
Entre as grandes religiões, o islamismo é a que mais cresce no mundo. Depois de 11 de setembro de 2001, a visão política dessa fé e os grupos radicais estão sob constante observação.
O libanoshow.com mostra nações em vários continentes e explica em que medida seu cenário político e sua sociedade podem ser vistos como islâmicos. ( Fonte: BBC Brasil )

Abaixo, uma pequena amostra do Islamismo no Mundo. Além deste países relacionados, existe muitos outros países onde a religião dominante é o Islã.

Iraque
População: muçulmanos 97% (xiitas 60%-65%, sunitas 32%-37%), cristãos ou outros 3%

O islamismo e o Estado: Saddam Hussein governou o Iraque através do partido laico Baath. Expressão política islamista que não autorizada pelo Estado era severamente reprimida. No novo Iraque, a maioria da comunidade siita espera ter um papel significativo no governo do país.

Militância islamista: Os EUA alegam que o Ansar al-Islam, um grupo com base no norte do Iraque, tem ligações com a rede Al-Qaeda e ainda está ativo no Iraque. Alguns grupos xiitas indicaram que podem pegar em armas contra a ocupação dos EUA e da Grã-Bretanha. A coalizão de americanos e britânicos no Iraque afirma que o país se tornou um imã para militantes islâmicos que desejam atacar suas forças.

Irã
População: muçulmanos xiitas 89%, muçulmanos sunitas 10%, adeptos do zoroastrismo, judeus, cristãos e bahaístas 1%

O islamismo e o Estado: O Irã se tornou uma república islamista depois da revolução de 1979. Clérigos xiitas não-eleitos têm controle político máximo, embora o parlamento e o presidente sejam eleitos. Nos últimos anos, o Irã vem vivendo uma luta entre conservadores e reformistas em que os conservadores usaram seu controle sobre o judiciário para combater a oposição e restringir as medidas reformistas do presidente Khatami.

Militantância islamista: O Irã está na lista dos EUA de países que patrocinam o terrorismo porque tem ligações estreitas com a organização Hezbollah no Líbano.

Arábia Saudita
População: muçulmanos 95%, muçulmanos xiitas 5%

O islamismo e o Estado: A Arábia Saudita tem um papel central no mundo islâmico porque é lá que ficam Meca e Medina, as duas cidades mais sagradas do islamismo. O wahabismo, uma interpretação conservadora do islamismo sunita, tem sido um dos pontos fundamentais para a legitimidade da Família Real. A Arábia Saudita mantém uma interpretação altamente conservadora das leis islâmicas (sharia). O reino é amplamente criticado por violações dos direitos humanos.

Militância islamista: Osama Bin Laden nasceu em uma proeminente família saudita. Quinze dos 19 homens suspeitos de realizarem os atentados suicidas de 11 de setembro em Nova York e Washington eram sauditas. O reino enfrenta atualmente uma série de ataques de militantes armados que se opõem à Família Real saudita. As autoridades sauditas dizem que esses militantes estão ligados à rede Al-Qaeda. O wahhabismo, da forma como é ensinado nas universidades da Arábia Saudita e as mesquitas, dá sustentação ideológica para grupos radicais islâmicos em todo o mundo. Descobriu-se que organizações assistenciais religiosas sauditas, algumas ligadas ao governo, fornecem recursos para grupos militantes islâmicos.

Líbano
População: muçulmanos xiitas 41%, muçulmanos sunitas 27%, cristãos maronitas 16%, drusos 7%, ortodoxos gregos 5% and católicos 3% (estimativas do Departamento de Estado americano)

O islamismo e o Estado: O Líbano tem um sistema de governo que reflete a composição religiosa do país. O presidente do Líbano é sempre um maronita, o primeiro-ministro é um muçulmano sunita, o presidente do Parlamento é xiita, e o comandante do Exército é um maronita.

Militância islamista: O Líbano atrai a ira dos EUA ao se recusar a combater ou a desarmar o Hezbollah. O governo dos EUA considera a organização um grupo terrorista. O governo libanês alega que o Hezbollah é um movimento legítimo de resistência e uma importante organização política.

Jordânia
População: muçulmanos sunitas 92%, cristãos 6% (na maioria ortodoxos gregos), outros 2% (várias comunidades muçulmanas xiitas e drusas)

O islamismo e o Estado: A Família Real da Jordânia, os hashemitas, governam o país desde a independência, em 1946, e sua legitimidade tem por base seu status de descendentes diretos do profeta Maomé. A Jordânia é uma sociedade conservadora, amplamente tribal. O rei Abdullah está tentando modernizar o governo e a sociedade, mas persistem constumes antigos como a morte para limpar a honra.

Militantância islamista: O Hamas tinha uma presença forte na Jordânia até o final da década de 90, causando grande atrito com Israel. O rei Abdullah fechou o quartel-general do Hamas na Jordânia e expulsou seus líderes. No final de 2002, um diplomata dos EUA foi morto por militantes islâmicos.

Palestina
População: Estima-se que 90% dos palestinos que vivem em Gaza e na Cisjordânia são muçulmanos ou drusos (uma seita que se separou do islamismo no séc. XI). Os restantes são cristãos. A proporção de cristãos nos territórios diminuiu de cerca de 30% da população total há dez anos. Acredita-se que muitos partiram por causa da vida difícil nas áreas palestinas e pela crescente islamização do movimento nacionalista palestino.

O islamismo e a sociedade: A sociedade palestina e o movimento nacionalista palestino historicamente são seculares. Mas, com o crescimento do Hamas e do Jihad Islâmica no final da década de 80 e anos 90, o pensamento e a política islâmicos se tornaram cada vez mais dominantes.

Militantância islamista: Os grupos radicais islâmicos armados Hamas, Jihad Islâmico e Brigada dos Mártires de Al-Aqsa lideram ataques contra israelenses nos territórios ocupados e em território israelense. Desses grupos, o Hamas também oferece serviços sociais aos palestinos, tornando-se uma estrutura alternativa para a Autoridade Palestina.

PARA SABER MAIS SOBRE A QUESTÃO PALESTINA, CLIQUE AQUI

Egito
População: 94% muçulmanos (na maioria sunitas), 6% cristãos cópticos e outros

O islamismo e o Estado: O Egito é onde fica a mesquita e universidade Al-Azhar, uma das instituições mais importantes para os muçulmanos sunitas. O sistema judicial é secular, mas as leis de família e de casamento são primordialmente baseadas nas leis religiosas islâmicas (sharia). Grupos de defesa dos direitos civis dizem que essa área da lei e costumes sociais tradicionais discriminam e oprimem as mulheres e a minoria cóptica.

Militância islamista: Os principais grupos radicais do Egito são Gamaa Islamiya e Jihad Islâmico. Ambos mantém uma trégua no país. Parte do Jihad Islâmico tem atualmente estreitas ligações com a rede Al-Qaeda. Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que o governo prendeu milhares de pessoas em sua campanha contra grupos islâmicos ilegais. O grupo religioso mais popular no Egito, a Irmandade Muçulmana, é ilegal como partido, embora suas atividades sejam toleradas na maior parte do tempo porque ele não prega a violência.

Argélia
População: muçulmanos sunitas 99%, cristãos e judeus 1%

O islamismo e o Estado: Desde 1991, a vida e a política na Argélia têm sido dominadas por uma luta entre o governo apoiado pelos militares e militantes islamistas. Naquele ano, um partido islâmico estava na iminência de vencer as eleições gerais e o pleito foi anulado. Com isso começou uma campanha sangrenta que causou a morte de dezenas de milhares de pessoas.

Militantância islamista: O governo executa uma política de 'erradicação' dos grupos islâmicos armados que querem continuar o conflito, enquanto busca anistiar os que desejam se desarmar. O principal grupo islâmico armado, GIA,
praticamente se dispersou e alguns líderes islâmicos foram libertados da cadeia. O Grupo Salafista para Oração e Combate, um grupo que, acredita-se, teria ligações com a rede Al-Qaeda, ainda está na ativa.

Indonésia
População: muçulmanos 88%, cristãos protestantes 5%, católicos romanos 3%, hindus 2%, budistas 1%, outros 1%

O islamismo e o Estado: A Indonésia é a nação muçulmana mais populosa do mundo. Mas tem uma constituição secular, e grupos moderados islâmicos opõem-se a pedidos para a incorporação das leis islâmicas às leis do Estado.

Militância islamista: Vários grupos radicais islâmicos operam na Indonésia e estão dispostos a usar de violência. Acredita-se que o mais conhecido desses grupos, Jemaah Islamiah, tenha ligações com a rede Al-Qaeda. Ele foi responsabilizado pelo atentado a bomba em Bali. Alguns dos grupos propõem um Estado islâmico na Indonésia, enquanto outros fazem campanha para a imposição de leis islâmicas (sharia).
 

Chechênia
População: Maioria muçulmana, com uma minoria cristã bem pequena. Não há estatísticas detalhadas disponíveis.

O islamismo e o Estado: A república russa da Chechênia foi destruída por anos de guerra entre separatistas e forças do governo da Rússia. Desde a desintegração da União Soviética, o islamismo sofreu um grande renascimento na região. Na Chechênia, o islamismo se tornou a religião do Estado, quando as forças russas forma expulsas temporariamente e elementos das leis islâmicas (sharia) incorporaram as leis do Estado.

Militantância islamista: Os comandantes separatistas chechenos mais radicais dizem que sua luta é um Jihad. Os rebeldes são financiados com recursos estrangeiros, especialmente por organizações militantes islâmicas na Arábia Saudita. Alguns dos líderes e combatentes rebeldes são de origem árabe. O governo russo qualificou a luta contra os rebeldes como parte da 'guerra contra o terrorismo' dos EUA, responsabilizando-os por atentados a bomba contra alvos civis e pelo cerco a um teatro em Moscou em outubro de 2002.

Kosovo
População: Aproximadamente 92% são muçulmanos (88% albaneses, 3% muçulmanos eslavos, 1% de origem turca), 6% sérvios ortodoxos, 2% ciganos. (Fonte: Missão das Nações Unidas em Kosovo).

O islamismo e o Estado: Durante e depois que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) assumiu o controle de Kosovo e a administração das Nações Unidas começou em 1999, 360.000 não-albaneses deixaram a província e cerca de 200.000 albaneses voltaram ao país.

Turquia
População: muçulmanos - 99,8% (a maioria, sunitas), outros - 0,2% (a maioria cristãos e judeus)

O islamismo e o Estado: Constitucionalmente, a Turquia é um Estado secular. As poderosas Forças Armadas são guardiãs dessa tradição. Os militares depuseram governos civis em 1960, 1971 e 1980. Durante esses períodos, eles mantiveram um papel dominante sobre as administrações civis. Mais recentemente, os militares turcos estiveram por trás da remoção do primeiro governo islamista do país, em 1997.

A Turquia é governada atualmente pelo Partido da Justiça e Desenvolvimento, que tem raízes islamistas mas se apresenta como conservador, nos moldes dos partidos democrata-cristãos europeus. A contradição entre a constituição estritamente secular e a população muçulmana levou a algumas restrições à liberdade religiosa – entre elas, a proibição de que meninas usem lenços na cabeça nas escolas do governo.

OUTROS

Brasil
População: católicos romanos – 73%, cristãos evangélicos – 15%, muçulmanos - Cerca de 27 milhões
(Fonte: IBGE, Censo de 2000)

Militância islamista: Apesar de alertas feitos por agentes da inteligência dos EUA e de Israel, o governo brasileiro nunca admitiu a existência de células terroristas na região da Tríplice Fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai). Mas a área de Foz do Iguaçu é um dos lugares de maior concentração de muçulmanos do país e tem sido apontada, desde os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, como um local de presença de militantes islâmicos. Segundo a revista Veja, um funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) disse que Osama Bin Laden teria visitado a área por três dias em 1995 para fazer palestras. Khalid Shaikh Mohammed, o terceiro em comando da rede Al-Qaeda, que acabou preso no Paquistão, também teria passado pelo Brasil. Agentes do Serviço de Inteligência Argentina (Side), também descobriram que um grupo de agentes da rede de Bin Laden, a Al-Qaeda, teria realizado reuniões na área na época, coletado fundos, recebendo fugitivos e dando treinamento militar básico, como o preparo de bombas caseiras. Em dezembro de 2002, o Departamento de Estado americano anunciou que destinaria US$ 1 milhão para que Brasil, Argentina e Paraguai adotem medidas antiterroristas na Tríplice Fronteira. Mas, nunca houve provas que nesta região existe alguma célula de terroristas. 

 Estados Unidos
• O islamismo é uma das religiões que mais crescem nos EUA. Até o ano 2010, a população muçulmana do país deverá superar a população de judeus, fazendo com que o islamismo seja a segunda maior fé depois do cristianismo.
• Existem atualmente cerca de 6 milhões de americanos muçulmanos.
• Há aproximadamente 2.000 mesquitas nos EUA. A maioria dos americanos muçulmanos, 77,6%, são imigrantes – 22,4% dos americanos muçulmanos nasceram nos EUA.

(Fonte: Departamento de Estado dos EUA)

OS MUÇULMANOS NA PENÍNSULA IBÉRICA

 

           Em 711 Dc, chegou à Península Ibérica outro povo que a conquistou. Os cristãos vencidos só muito lentamente recuperaram o território.
         Na terra e nas gentes ficaram os vestígios da sua permanência.
 
 O IMPÉRIO MUÇULMANO
 
         No século VII, apareceu uma nova religião na Península da Arábia – o islamismo. Os Árabes converteram-se a essa nova religião pregada por Maomé.
         Ele pedia aos crentes – os muçulmanos – que espalhassem a sua mensagem a todos os outros povos.
         Para pregar a sua religião e para aproveitarem as riquezas de novas terras, os muçulmanos conquistaram muitos territórios.
         Em 711, comandados por Tarik, os Muçulmanos atravessaram o estreito de Gibraltar e invadiram a Península Ibérica.
 
         O avanço dos mouros, nome por que também eram conhecidos entre nós, foi rápido. Mas no Norte da Península Ibérica tornou-se mais difícil vencer os cristãos que se refugiaram nas montanhas das Astúrias. Também se tornou difícil defender e manter os territórios conquistados, pois os cristãos organizaram-se para o contra-ataque. A reconquista de terras aos muçulmanos foi feita com avanços e recuos e demorou quase oito séculos no Sul da Península Ibérica.
 
   CONVIVÊNCIA ENTRE MUÇULMANOS E CRISTÃOS
 
Cristãos e Muçulmanos não estavam sempre em guerra. Houve períodos de paz em que mouros e cristãos conviveram e se respeitaram.
Contribuiu para essa convivência a tolerância religiosa e o respeito pelos costumes e tradições praticados tanto pelos Cristãos como pelos Muçulmanos.

Imagem do século XIII que simboliza um dos muitos acordos entre Cristãos e Muçulmanos

   HERANÇA MUÇULMANA
 

Os Muçulmanos estiveram cerca de 800 anos na Península Ibérica e por isso influenciaram muito a população local. Muitos dos habitantes da Península Ibérica chegaram mesmo a converter-se à religião islâmica, a falar o idioma (língua) árabe e a aceitar totalmente os seus costumes.

A influência muçulmana foi muito forte nas terras a sul do Tejo, por essa zona ter sido reconquistada mais tarde. Aí se formaram grandes e populosas cidades muçulmanas como Córdova, Granada, Lisboa, Mértola ou Silves. Os seus habitantes viviam em ruas tortas e estreitas, com escadinhas, casas muito juntas e quase sem aberturas para o exterior. Em Portugal, toda a zona do Algarve e Baixo Alentejo ainda hoje revela fortes marcas da influência muçulmana

  

Caixa de texto:  
Azulejos

Portas islâmicas da mesquita de Mértola

    Pátio de influência árabe, em Lisboa

 As casas tinham terraços, pátios interiores e eram caiadas de branco. No Algarve podemos ver ainda hoje casas com características herdadas dos mouros: terraços (chamados açoteias) onde a chuva pouco intensa é conduzida para depósitos ou cisternas, paredes caiadas de branco que reflecte o sol e torna as casas mais frescas. As portas e janelas não são largas, pelo mesmo motivo. São casas adaptadas ao clima.

Chaminés algarvias

      Terraços de Olhão

Os Muçulmanos desenvolveram algumasindústrias artesanais:

armas  e outros trabalhos de metal (em Toledo);

carros e arreios ( em Córdova);

tapetes (em Arraiolos)

Tapete de Arraiolos
            Sendo um povo vindo do deserto, onde havia falta de água, os Árabes dominavam as técnicas de captar, elevar e distribuir a água e os povos da Península Ibérica aprenderam com eles essas técnicas. Assim, passaram a dispor mais facilmente de água para o consumo doméstico, para mover moinhos, regar terrenos de cultivo e jardins.
 
   ENGENHOS E CONSTRUÇÕES LIGADOS À ÁGUA
Para a captar e elevar

Para a distribuir

Para a reter

Para a guardar

Como força motriz

A agricultura também beneficiou muito com a presença dos Muçulmanos. Com as novas técnicas de regadio puderam cultivar legumes e plantar árvores de fruto. Além de darem a conhecer processos de rega até aí desconhecidos – a nora, a picota, açude – também  generalizaram o uso de moinhos de vento.

Cultivaram novas plantas que ainda hoje vemos nos nossos campos: laranjeira, limoeiro, amendoeira, figueira, alfarrobeira, meloeiro e provavelmente  arroz.  Também desenvolveram o cultivo da oliveira.
Ficaram célebres os grandes pomares que plantaram no Algarve, os figos e uvas de Évora e as enormes maçãs de Sintra.
laranjeira

Amendoeiras e oliveiras

Nora

Figueira
         Os muçulmanos trouxeram para a Península novos conhecimentos de Medicina, Navegação, Astronomia e Matemática, muito evoluídos para a época.
Das viagens ao Oriente trouxeram muitas notícias, que se tornaram úteis quando os Portugueses no século XV, partiram para a descoberta de novas terras.
Os Árabes também divulgaram a bússola e  instrumentos de orientação pelos astros, como o astrolábio utilizados nos Descobrimentos Portugueses. Até a caravela, o barco usado nas viagens de descoberta, tem influências do carib árabe.

          Além da Astronomia também desenvolveram a Geografia, traçando mapas e fazendo relatos das terras por onde viajavam.

Também os algarismos que hoje utilizamos e que substituíram a numeração romana, foram trazidos para a Península Ibérica pelos Muçulmanos.
 
            Deram a conhecer o fabrico do papel e da pólvora.
 
            Há também na língua portuguesa cerca de 600 palavras que são de origem árabe. Algumas delas são fáceis de identificar porque começam por al. O nome de muitas terras portuguesas é também de origem árabe, como por exemplo: Silves, Loulé, Tavira, Évora, etc.
 
  As palavras de origem árabe começam geralmente com o artigo definido al(por exemplo, almofada, de al + mohada), sendo, às vezes, o l assimilado pela consoante seguinte (azeitona, al + ceitun). Além destes substantivos, o árabe deixou também alguns adjetivos (mesquinho, baldio) e uma preposição (até).
   ALGUMAS PALAVRAS PORTUGUESAS DE ORIGEM ÁRABE
Algarve azeite arroz algarismo limão açude azeitona
alfinete almofada almoxarife javali arsenal alcachofra tapete
alface alfaiate laranja açucar almirante abóbora alicerce
alicate azulejo alfândega acepipe refém aldeia Ferreira
oxalá almocreve algodão alferes arrabalde alcântara açucena

Organizações árabes

Conselho de Cooperação Regional dos Países do Golfo – Instituído em 1981 para estabelecer cooperação mútua que garanta a segurança interna e externa da Arábia Saudita, Barein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuweit, Omã. Sede: Riad, Arábia Saudita. O grupo tem o objetivo de organizar um mercado comum no ano 2000.

Liga Árabe (LA) – Instituída em 1945 para defender os interesses dos povos árabes. Também funciona como mediadora em disputas entre países membros. Integrada por 22 países (incluindo a Palestina). Sede: Túnis, Tunísia.

DIVISÕES DINÁSTICAS E POLÍTICAS DO ISLÃ

O estudo das divisões dinásticas e políticas convencionais do Islã permite retratar como os muçulmanos, ao longo de 14 séculos, conquistaram novos povos e construíram uma civilização e religião internacional.
O Islã foi fundado no século VII da era cristã, na Arábia, por Maomé, como uma religião monoteísta que enfatiza a adesão rigorosa a certas práticas religiosas. A religião muçulmana, assentada na escritura sagrada, o Alcorão, converteu-se numa força unificadora de diversos povos, a partir do elemento original árabe. O império que se formou em virtude da expansão muçulmana pelo Oriente e Ocidente não foi apenas árabe, tampouco teve uma tendência religiosa única. Apesar de criadas diversas facções e seitas, o sentimento de coesão do mundo muçulmano não diminuiu. Essa coesão baseou-se no monoteísmo e na prática religiosa, regedora também da vida civil e da justiça, e principal impulsionadora da expansão territorial, da pregação e da guerra santa.


Arábia pré-islâmica. A península arábica, um grande planalto desértico cercado por cadeias de montanhas e coberto de areia, impôs condições geográficas duras às populações árabes pré-islâmicas, que se adaptaram de forma dispersa e variada. A diferença de clima entre o norte e o sul constituiu fator fundamental para determinar as condições de vida. No sul, as monções (ventos sazonais) procedentes do oceano Índico favoreciam a agricultura. Enquanto isso, no norte e no centro da península, as grandes extensões desérticas e as estepes impediam o cultivo, a não ser nos oásis, e impunham a seus habitantes uma vida nômade.
Alguns oásis na região do Hedjaz deram origem a cidades como Yathrib (a Medina islâmica) e Meca, na rota das caravanas entre a Índia e o Ocidente. A grande maioria da população era composta de tribos independentes de beduínos nômades, cada uma das quais sob o comando de um xeque. No povo árabe, distinguiam-se tradicionalmente dois grupos rivais: os árabes do sul, ou iemenitas, descendentes de Abraão por Qahtan e sedentários, e os árabes do norte, nizaritas, descendentes dele por Ismael e nômades. Esses grupos dividiram-se em muitos ramos, mas mantiveram sua rivalidade.
O sul da Arábia conheceu diversas culturas a partir do século IX a.C., quando floresceu o reino de Mineu. O reino de Sabá criou a lenda da proverbial riqueza da Arábia, baseada no comércio de materiais preciosos com a Índia. A região norte, por sua vez, teve um desenvolvimento mais tardio. A sociedade, fundamentalmente tribal e nômade, constituía-se de ricos cameleiros, que viajavam seguindo rotas determinadas, e de pastores de ovelhas pobres. Outros nômades foram-se estabelecendo de forma sedentária e pagavam tributo aos beduínos do deserto para assegurar sua proteção. Esses grupos, entretanto, não estavam organizados em unidades políticas superiores e viviam em constante confronto. As hostilidades só se amenizaram em virtude das tréguas religiosas e de uma espécie de código de honra estabelecido com base na vingança.
Os habitantes das cidades prosperaram economicamente em comparação com os nômades. Meca desenvolveu-se como centro do comércio entre o oceano Índico e o mar Mediterrâneo. Também estabeleceram-se na cidade criadores de gado, e surgiram diversas atividades vinculadas às comunicações e à passagem de caravanas. Nas regiões de fronteira com a Síria, algumas tribos árabes emigraram em direção ao norte, onde organizaram vários estados. Exemplos deles são o dos nabateus, cuja escrita daria origem ao árabe; o dos gassânidas, relacionados com Bizâncio como guardiães da fronteira sírio-palestina; e o reino de Hira, na fronteira mesopotâmica, submetida ao império persa sassânida. Os súditos deste último reino viriam a desempenhar importante papel na conquista árabe. Converteram-se imediatamente ao Islã e, graças a sua boa organização militar, contribuíram para a vitória dos exércitos árabes. Até o fim do século V, tentou-se unificar as tribos da Arábia central. O reino de Kinda, de curta duração, representou um esforço pela união política.
Os árabes da península adotavam uma religião politeísta, com divindades locais ou tribais, em muitos casos de caráter astral, e que para eles viviam em pedras sagradas (abadir). Os habitantes de Meca possuíam também uma deusa da felicidade e outra do céu e, acima delas, Alá (Deus), que no século VII era o Senhor do Templo, ou da Caaba, em Meca. No século IV, Alá deixara de ser o único deus para os seminômades das estepes sírias.


Maomé e o estabelecimento do poder islâmico. Maomé, que de acordo com a tradição nasceu por volta do ano 570, era membro do respeitado clã Hachim, da tribo dos coraixitas. Órfão e sem recursos, foi educado por um tio. Aos 25 anos, casou com a viúva Cadidja, para cujo serviço havia sido contratado. Após a morte de Cadidja, Maomé teve outras 18 esposas e consumou o casamento com nove delas. Segundo a tradição, o profeta, aos quarenta anos, teve uma visão do anjo Gabriel e soube que Alá o tinha escolhido para ser seu enviado e pregar sua palavra. As revelações de Alá a Maomé foram mais tarde reunidas no Alcorão (que significa "recitação"). No princípio, o profeta encontrou obstáculos para a pregação em sua cidade natal, entregue ao paganismo, e foi obrigado a emigrar para Medina: a chamada hégira (emigração, separação) marcou o início da era islâmica, em setembro do ano 622.
Em Medina, Maomé transformou-se em chefe teocrático e substituiu as antigas organizações tribais pela ummah, ou comunidade de crentes, fundamentada no vínculo religioso. Dois anos depois, a vitória na batalha de Badr, entre os habitantes de Meca e Medina, foi para Maomé uma prova de que Alá estava do seu lado. O prestígio de Maomé cresceu e, após uma campanha para expulsão dos judeus de Medina, o profeta se tornou senhor absoluto da cidade. Em 630, entrou em Meca e conseguiu a rendição pacífica dos chefes coraixitas. O apoio dos habitantes de Meca foi definitivo para a consolidação do novo poder. A expansão do Islã iniciou-se com uma primeira campanha militar contra a Síria. Antes de morrer, em 632, Maomé conseguiu impor sua autoridade a grande parte da Arábia.
Primeiros califas. Maomé não deixou herdeiro varão nem estabeleceu regras a respeito de sua sucessão. Tudo isso engendrou uma crise política que se resolveu com a eleição, como primeiro califa, de Abu Bakr, encarregado por Maomé de dirigir a oração. Antes de morrer, Abu designou seu sucessor, Umar, que foi assassinado dez anos mais tarde, em 644. Depois dele, Uthman, da dinastia omíada, ocupou o califado até 656, ano em que foi assassinado. Finalmente, Ali, primo e genro de Maomé, assumiu o poder.
Com os quatro primeiros califas, o Islã iniciou sua expansão. Primeiro, conseguiu a pacificação da península arábica e a eliminação dos falsos profetas. O principal objetivo das conquistas muçulmanas eram a pregação e a propagação da fé. Síria, Mesopotâmia, Pérsia, Egito e Cirenaica foram as primeiras regiões conquistadas. Realizaram-se também incursões na Anatólia, nas ilhas do mar Egeu, no norte da África e na Armênia. A conquista árabe não seguiu um plano estratégico de grande alcance; foi antes um movimento natural das tribos árabes acostumadas ao nomadismo -- e agora também levadas pelo desejo de converter os povos à nova fé --, em direção aos territórios habitados por populações agrícolas e sedentárias.


Califado omíada. A dinastia omíada começou em 661, com Moawia I, e terminou em 750. A capital mudou de Medina para Damasco, onde os omíadas criaram uma autêntica realeza árabe ao adotarem o princípio dinástico, pelo qual, antes de morrer, cada califa designava como herdeiro seu filho -- o que rompia a tradição dos primeiros sucessores de Maomé. Os omíadas transformaram a antiga organização tribal em monarquia centralizada. O sistema administrativo e fiscal que instauraram propiciou um grande enriquecimento do império e favoreceu a islamização, pois os súditos não muçulmanos dos territórios anexados tinham que pagar impostos maiores que os convertidos à nova fé. A dinastia omíada impulsionou a arquitetura muçulmana e criou as grandes mesquitas de Damasco, Medina e Jerusalém.
O império muçulmano do primeiro século da hégira era fundamentalmente árabe e estava unido pela revelação corânica. Os omíadas integraram os sírios convertidos e permitiram que participassem da organização estatal. O povo conquistado aprendeu rapidamente o árabe -- que chegou a ser sua língua oficial -- e converteu-se ao Islã (muitos eram cristãos).
Durante os cem anos que durou a dinastia omíada, os califas tiveram que enfrentar inúmeras dificuldades de ordem interna. Além do antagonismo entre a Arábia do norte e a do sul, lutaram contra os caridjitas e contra um partido que agrupava muitos descontentes que pretendiam devolver o centro do poder à Arábia. Mesmo assim, criaram as bases da grande civilização muçulmana. Nesse período, começaram a desenvolver-se as ciências jurídicas e teológicas, que, mais tarde, durante a dinastia abássida, alcançariam seu esplendor máximo.
No que se refere à expansão das fronteiras do Islã, os omíadas conseguiram a maior extensão territorial alcançada pelo império muçulmano. Chegaram à Tripolitânia, conquistaram o Maghreb e dominaram o norte da África entre os anos 697 e 707. Invadiram e conquistaram a península ibérica e chegaram à França, onde foram detidos na batalha de Poitiers por Carlos Martel, em 732. No Oriente, conseguiram dominar Pérsia, Afeganistão, Transoxiana e o Turquestão chinês e penetraram pelo norte da Índia em Sind, Punjab e Ode. O Islã, nessa época, estendia-se das fronteiras da China ao oceano Atlântico. O povo árabe, praticamente desconhecido na antiguidade, havia imposto seu domínio sobre uma enorme extensão geográfica e transmitido aos povos conquistados sua religião e sua língua.
Nas províncias imperiais, os cristãos e judeus eram considerados cidadãos de categoria social inferior em relação aos muçulmanos, mas reconhecidos como crentes e chamados "povos do Livro", noção que abrange todos os povos detentores de uma escritura sagrada. Por extensão, incluíram-se entre eles os zoroastristas da Pérsia. Os súditos não eram obrigados a converter-se ao Islã, mas apenas a submeter-se ao direito penal e civil islâmico. Os conflitos internos que afetaram diretamente o califado omíada deveram-se fundamentalmente ao confronto com as tendências que condenavam o abandono das primeiras tradições do Islã. Nesse contexto, os xiitas organizaram-se como um forte grupo de oposição ao poder omíada, por eles considerado ilegítimo. Os primeiros califas souberam enfrentar esses movimentos. Em 680, Yazid I sufocou a rebelião de Hussain, filho de Ali, que foi transformado em mártir pelos xiitas. Depois do califa Walid I (705-715), que levou o império a sua expansão máxima, as desavenças se agravaram e o poder da dinastia declinou. Os rebeldes de Khorasan e do Iraque conseguiram vencer a dinastia omíada em agosto de 750, quando foi derrotado o califa Marwan II. Apenas um dos membros do império, Abd al-Rahman I, conseguiu fugir e fundou a dinastia omíada de Córdoba, na Espanha. Abu al-Abbas proclamou-se o novo califa.


Califado abássida. A dinastia abássida mudou a sede do império para o Iraque e situou a capital em Bagdá. Os abássidas, e o importante contingente de persas em que se apoiavam, transformaram-se em restauradores da tradição islâmica, supostamente traída pelos omíadas. Reforçaram o poder teocrático do califa e deram mais pompa ao cerimonial da corte. O êxito da conspiração que havia levado a dinastia ao poder determinou, nos primeiros tempos, uma atitude tolerante quanto à diversidade de elementos étnicos e culturais que sustentava. O califado sofreu grande influência da civilização persa, que adotou o sistema muçulmano em suas estruturas e regras, de modo bastante superficial. Em consonância com a tradição persa, o direito divino do monarca fortaleceu-se e o sistema político islâmico alcançou seu perfil definitivo. O novo califado assumiu o papel de defensor da fé, mais forte e menos questionado, já que não existia uma hierarquia religiosa reconhecida.
A designação do califa assegurava-se, em princípio, pela escolha de um herdeiro entre seus filhos. A época de esplendor correspondeu ao reinado de Harun al-Rashid, no período compreendido entre os anos 750 e 833. Bagdá transformou-se em importante centro cultural, o que representou o desenvolvimento pleno da civilização cortesã e urbana do Islã. As ciências e as letras passaram por extraordinário desenvolvimento, e muitas vezes incorporaram aspectos de outras culturas, como a indiana, a greco-latina e a persa. Também prosperou a atividade econômica, baseada na manufatura de sedas, tapetes, telas bordadas e papel reciclado de tecido (técnica proveniente da China), e nas transações comerciais entre Oriente e Ocidente.
A criação dos vizirados, no período anterior, possibilitara uma certa descentralização do poder imperial concentrado no califa, que passou a contar com emissários e delegados. O testamento de Harun al-Rashid estabeleceu a ordem de sucessão ao trono e abriu caminho à divisão efetiva do império. Após sua morte, em 809, as ambições pessoais fracionaram o Islã em principados mais ou menos autônomos. A luta entre dois dos filhos de Harun al-Rashid levou ao assassinato do califa al-Amin, de linhagem árabe, em 813, e conduziu ao poder al-Mamun, de mãe persa.
Com o reinado de al-Mamun, os árabes desapareceram da cena política. Prevaleceu ainda mais a influência dos persas, e sua cultura impregnou todos os aspectos da vida de Bagdá. Também foi ganhando importância o número de soldados turcos recrutados na Ásia central para o exército islâmico. Esses mercenários tiveram influência ainda maior que a dos árabes, a ponto de modificar o poder político do Islã. Os mercenários turcos da guarda do califa e seu chefe, o "emir dos emires", governaram Bagdá mas permitiram que o califa mantivesse seu prestígio espiritual.
A esse avanço do poder turco no império somaram-se as tensões sociais provocadas pelo desequilíbrio resultante do desenvolvimento econômico desigual. As classes baixas, afundadas na miséria, aderiram aos programas extremistas das seitas xiitas, que provocaram diversas revoltas nos dois últimos anos do século IX e nos primeiros do século X. A devastação da Síria e do Iraque por parte dos bandos chamados cármatas e a sublevação de camponeses e artesãos propiciaram a constituição do estado de Bahrein, cujas tropas conseguiram apoderar-se de Bassora e Kufa, e em 930 saquearam Meca.
No século X, apareceram principados independentes e acelerou-se a fragmentação do império abássida. O emirado andaluz, fundado em 756, transformou-se em califado independente em 929. Os reinos do Maghreb tornaram-se praticamente autônomos e, no Oriente, criaram-se diversos estados iranianos no Khorasan. No Egito e na Síria, também se formaram estados independentes. Durante o século X, cada uma das grandes famílias do Islã criou um reino: o califado omíada consolidou-se em Córdoba; os descendentes do califa Ali e de Fátima (filha de Maomé) instalaram-se no Egito; e, em Bagdá, a dinastia abássida manteve-se até 945, quando caiu sob o poder de Ahmad al-Buye, um xiita das montanhas iranianas. Seu sucessor conseguiu apossar-se de um império que compreendia dois terços do Irã e a Mesopotâmia. A dinastia dos buáiidas desapareceu com a chegada dos turcos seldjúcidas em 1055.


Califado omíada de al-Andalus. A Espanha muçulmana era uma província independente desde o estabelecimento do poder abássida. O último omíada, Abd al-Rahman I, fugiu da matança de sua família em Damasco e refugiou-se na península ibérica, de onde, com a ajuda dos berberes e dos árabes da Síria, apoderou-se de Córdoba em 756 e dominou a maior parte do país. Em 929, o emirado foi transformado em califado por Abd al-Rahman III. Durante seu reinado, os povos cristãos do norte sofreram sangrentas derrotas, ao tentarem reconquistar o território.
No fim do século X, os muçulmanos espanhóis lançaram expedições devastadoras sobre Barcelona, Leão, Santiago, Zamora e Coimbra. Ampliou-se o domínio do califado, e Córdoba conheceu enorme esplendor, que se manteria durante o século seguinte. As tradições sírias permaneceram vivas, e a refinada cultura cordobesa rivalizou com a de Bagdá. A destruição do califado de Córdoba foi conseqüência de diversas questões relacionadas com o progressivo enfraquecimento do poder. Em 1031, foi destituído o último califa omíada. A Espanha muçulmana dividiu-se em reinos de taifas (facções). Ao longo dos séculos XI e XII, almorávidas e almôadas, povos do norte da África, vieram em auxílio desses reinos, que sucumbiram progressivamente ante o avanço da reconquista cristã. O último reduto muçulmano foi o reino nazarita de Granada, que caiu em 1492 em poder dos reis católicos, Fernando e Isabel.


Poder seldjúcida. Em meados do século XI, iniciou-se uma mudança decisiva no mundo islâmico: os turcos seldjúcidas, convertidos à ortodoxia muçulmana dos sunitas, reunificaram durante algum tempo o Oriente Médio. Formavam um conjunto de clãs estabelecidos, nos séculos anteriores, ao longo das fronteiras ocidentais da China. Alguns deles permaneceram dentro das fronteiras do império islâmico e, após converterem-se, iniciaram campanhas de penetração em direção ao Ocidente e ao Oriente, contra os gaznévidas, que haviam islamizado a Índia.
Togrul Beg avançou sobre o Irã e a Anatólia para atacar o império bizantino. Penetrou pelo sul no Iraque, cuja capital, Bagdá, ocupou em 1055, e se fez reconhecer como sultão e protetor do califa. Os três grandes sultões seldjúcidas, Togrul Beg, Alp-Arslan e Malik-Xá, ajudados pelo vizir persa Nizam al-Mulk, deram a seu império uma organização política e social que serviria de modelo a todo o oriente islâmico. Além disso, transformaram-se em defensores da ortodoxia muçulmana sunita. Invadiram a Anatólia e estabeleceram-se na Síria e Palestina, até que os cruzados cristãos fundaram principados na região.
O império seldjúcida dividiu-se, com a morte de Malik-Xá, entre seus filhos e irmãos. Os governadores locais tornaram-se independentes e fundaram dinastias locais na Síria, Mesopotâmia, Armênia e Pérsia. Na luta contra os cruzados, destacaram-se sobretudo os aiúbidas do Egito, cujo califa, Saladino, apoderou-se de Jerusalém em 1187.


Império mongol. A invasão das tropas mongóis acabou definitivamente com o califado de Bagdá, aparentemente mantido durante o império seldjúcida. Em meados do século XIII, o império mongol, fundado por Gengis Khan, penetrou em território muçulmano, depois de haver unificado a Mongólia e iniciar a conquista da China. Os mongóis derrubaram os príncipes dos reinos islâmicos: Bagdá caiu em 1257, e Alepo e Damasco, no ano seguinte. O califa e sua família foram assassinados.
Os mongóis toleravam diversas religiões, como o paganismo, o budismo, o cristianismo e o nestorianismo. Isso permitiu-lhes fazer alianças com os cruzados contra o último reduto do Islã no Oriente: os mamelucos do Egito, que, sob o comando de Baibars, haviam dado proteção aos descendentes do califa. Baibars derrotou os mongóis e tornou-se sultão do reino da Síria e do Egito. No fim do século XIV, o império mongol dividiu-se em várias dinastias locais. Mais tarde, foi aniquilado por um turco muçulmano, Tamerlão (Timur Lang), que tentou reconstruir a unidade política da Anatólia e revitalizar o islamismo sunita. Dominou a Índia, a Síria e a Anatólia, mas seus descendentes não conseguiram manter o império, que ficou reduzido à parte oriental do Irã.


Impérios do deserto. Nos séculos XI, XII e início do XIII, o Maghreb esteve sob o domínio de grandes tribos berberes de tendência sunita: os almorávidas, nômades do Saara originários de uma seita guerreira, e os almôadas, sedentários das montanhas. Esses povos se estabeleceram firmemente em boa parte do norte da África ocidental e na península ibérica. Os almorávidas se constituíram a partir das pregações do missionário muçulmano Abdala ibn Yasin, que preconizava extrema disciplina, baseada na oração e na formação religiosa e militar para a guerra santa. Após um período de lutas, sua doutrina ganhou as tribos do oeste do Saara. Os almorávidas consideravam-se defensores da ortodoxia islâmica e chegaram a conquistar o norte da África e Andaluzia (al-Andalus, como era chamada a Espanha muçulmana). O movimento desses grupos forneceu as bases para a criação do reino do Marrocos, com a fundação de Marrakech, em 1072.
Nas montanhas do Atlas, Ibn Tumart iniciou um movimento religioso e, ao agrupar seus partidários contra os almorávidas, organizou a luta armada para conseguir dominar o Maghreb. Sob o comando de Abd al-Mumin, os almôadas apoderaram-se de Marrakech e estenderam seu domínio a toda a região berbere e andaluza. Abd al-Mumin proclamou-se califa -- o que não se atreveram a fazer os almorávidas -- de modo a reconstituir uma comunidade religiosa com grande organização política. O califado desapareceu em meados do século XIII com o surgimento dos reinos de Túnis, Tlemcen e Fez. A derrota imposta pelos cristãos espanhóis sobre os almôadas, na batalha de Las Navas de Tolosa (1212), acelerou o processo interno de desmembramento.
No princípio do século XV, os cristãos atravessaram o estreito de Gibraltar. Os portugueses estabeleceram-se em Marrocos, e o exército do imperador Carlos V chegou a Túnis. Ao mesmo tempo, ocorria uma retirada cristã no Oriente, em virtude da tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos, em 1453, e sua posterior expansão pelos Balcãs.


Império otomano e a origem do mundo islâmico moderno. Seis séculos durou o império otomano, que representou o estado muçulmano mais importante da era moderna. Os otomanos, originários do noroeste de Anatólia, estenderam seu poder até a Europa, dos Balcãs à Síria, Egito e Iraque. A partir do século XVIII, sua decadência começou a se manifestar, apesar de tentativas isoladas de revitalizar o império, cada vez mais debilitado. As regiões européias sob domínio otomano foram se tornando independentes: Grécia, Sérvia, Bulgária etc. O Egito libertou-se também e, sob o comando de Mohamed Ali, reorganizou sua estrutura administrativa em moldes ocidentais; o país obteve a independência com o apoio britânico e conquistou o Sudão. Mesmo assim, a abertura do canal de Suez limitou essa independência, devido ao interesse das potências européias pela atividade comercial naquela região. A França conquistou a Argélia e estabeleceu um protetorado em Túnis. A Itália conquistou a Tripolitânia. As províncias orientais do império otomano desmembraram-se. A Índia, parcialmente islamizada, foi dominada pelo Reino Unido no século XIX, e o Irã sofreu invasões de russos e britânicos.
Após a primeira guerra mundial, os nacionalismos islâmicos se acentuaram. A Turquia passou por profunda transformação, convertendo-se em república laica. O Egito deixou a condição de protetorado britânico em 1922 e, ao longo do século XX, muitos outros estados surgiram no mundo islâmico. A abundância de petróleo em diversos países árabes reforçou o papel da civilização islâmica no mundo, sobretudo a partir da segunda metade do século XX. A descolonização da Síria, Líbano e de várias nações do norte da África, além da oposição dos países árabes à criação do Estado de Israel na Palestina, contribuíram para desenvolver a solidariedade do mundo islâmico. Assim mesmo, a unidade panislâmica encontrou obstáculos na consolidação de nacionalismos locais e na permanência de choques entre xiitas e sunitas.

RELIGIÕES DA MESOPOTÂNIA

A Mesopotâmia é a região delimitada pelos vales férteis dos rios Tigre e Eufrates (atual sul da Turquia, Síria e Iraque). Ali surgem povos e civilizações tão antigas como a do Egito: os sumérios e os semitas, estes divididos em acádios, assírios e babilônios. Os sumérios são os primeiros a inventar a escrita - os caracteres cuneiformes. Descobertas arqueológicas e a decifração da escrita cuneiforme têm revelado as tradições culturais e religiosas desses povos. Entre os documentos decifrados destacam-se alguns anteriores ao século XV a.C.: o código de Hamurabi, com as leis que regem a vida e propriedade dos súditos do imperador Hamurabi (1.728 a.C.?-1.686 a.C.?); Enuma elis, poema babilônico da criação, e a Epopéia de Gilgamesh, relato da vida do lendário soberano de Uruk, cidade suméria nas margens do rio Eufrates.

Deuses sumérios - Os primitivos deuses sumérios são Anou ou An, deus-céu; Enki ou Ea, que ora aparece como deus-terra, ora como deus-água; Enlil, deus do vento e, mais tarde, deus da terra; Nin-ur-sag, também chamada de Nin-mah ou Aruru, a senhora da montanha. A hierarquia entre esses deuses muda com o tempo. No início da civilização suméria, Anou ocupa a principal posição. Depois, o deus supremo passa a ser Enlil, considerado o regente da natureza, o senhor do destino e do poder dos reis.

Deuses da Babilônia - Os semitas (babilônios e assírios) incorporam os deuses sumérios, trocam seus nomes e alteram sua hierarquia. Anou, Enki e Enlil (chamado de Bel) permanecem como deuses principais até o reinado de Hamurabi. Eles veneram Sin, o deus-lua, e Ishtar ou Astarté, deusa do dia e da noite, do amor e da guerra. No reinado de Hamurabi, o deus supremo passa a ser Marduk, o mesmo Enlil dos sumérios e Bel dos primeiros babilônios, porém mais poderoso. Chamado de pai dos deuses ou criador, Marduk sobrevive com o nome de Assur, deus supremo da Assíria, quando esse povo domina a Mesopotâmia.

Cultos e rituais da Mesopotâmia - A relação com os deuses é marcada pela total submissão às suas vontades e pelo sentimento de impureza, expresso nos salmos de penitência para implorar o perdão. Os deuses manifestam suas vontades através de sonhos e oráculos. Os antigos sumérios procuram obter as graças divinas por meio de sacrifícios regulares e oferendas. Cada deus tem uma festa especial. Os sumérios acreditam na vida após a morte, mas a alma não passa de uma sombra que habita as trevas de Kur, espécie de inferno.

Islamismo

É uma religão e um projeto de organização da sociedade expresso na palavra árabe islã, a submissão confiante a Alá (Allah, em árabe - Deus, ou "a divindade", em abstrato). Seus seguidores chamam-se muçulmanos (muslimun, em árabe): os que se submetem a Deus para render-lhe a honra e a glória que lhe são devidas como Deus único. Fundado por Maomé, o islamismo reúne hoje cerca de 850 milhões de fiéis e é a religião que mais cresce em todo o mundo.

Maomé (570 d.C.-632 d.C.) (corruptela hispânica de Mohammed, nome próprio derivado do verbo hâmada e que significa "digno de louvor") nasce em Meca na tribo árabe coraixita, e trabalha como mercador. Segundo a tradição, aos 40 anos recebe a missão de pregar as revelações trazidas de Deus pelo arcanjo Gabriel. Seu monoteísmo choca-se com as crenças tradicionais das tribos semitas e, em 622, Maomé é obrigado a fugir para Iatribe, atual Medina, onde as tribos árabes vivem em permanente tensão entre si e com os judeus. Maomé estabelece a paz entre as tribos árabes e com as comunidades judaicas e começa uma luta contra Meca pelo controle das rotas comerciais. Conquista Meca em 630. Morre dois anos depois, deixando uma comunidade espiritualmente unida e politicamente organizada em torno aos preceitos do Corão.

Comunidade do Islã - A fuga de Maomé de Meca para Medina, em 622, chamada hégira (busca de proteção) marca o início do calendário muçulmano e indica a passagem de uma comunidade pagã para uma comunidade que vive segundo os preceitos do Islã. A doutrina do profeta e a idéia de comunidade do Islã (al-Ummah) formam-se durante a luta pelo controle de Meca: todos os muçulmanos são irmãos e devem combater todos os homens até que reconheçam que só há um Deus.

Corão - Livro sagrado do islamismo, o Alcorão (recitação) é revelado a Maomé pelo arcanjo e redigido ao longo dos cerca de 20 anos de sua pregação. É fixado entre 644 e 656 sob o califado de Uthman ibn Affan: são 6.226 versos em 114 suras (capítulos). Traz o mistério do Deus-Uno e a história de suas revelações de Adão a Maomé, passando por Abraão, Moisés e Jesus, e também as prescrições culturais, sociais, jurídicas, estéticas e morais que dirigem a vida individual e social dos muçulmanos.

Suna - A segunda fonte doutrinal do islamismo. É um compêndio de leis e preceitos baseados nos ahadith (ditos e feitos), conjunto de textos com as tradições relativas às palavras e exemplos do Profeta.

Deveres dos muçulmanos - Todo muçulmano deve prestar o testemunho (chahada), ou seja, professar publicamente que Alá é o único deus e Maomé é seu profeta; fazer a oração ritual (salat) cinco vezes ao dia (ao nascer do Sol, ao meio-dia, no meio da tarde, ao pôr-do-sol e à noite), voltado para Meca e prostrado com a fronte por terra; dar a esmola legal (zakat) para a purificação das riquezas e a solidariedade entre os fiéis; jejuar do nascer ao pôr-do-sol, durante o nono mês do calendário muçulmano (Ramadan); e fazer uma peregrinação (hadjdj) a Meca ao menos uma vez na vida, seja pessoalmente, se tiver recursos, ou por meio de procurador, se não tiver.

Festas islâmicas - A Grande Festa ou Festa do Sacrifício (Eid Al-Adha) é celebrada no dia 10 do mês de Thul-Hejjah (maio/junho). A Pequena Festa (Eid Al-Fitr), celebrada nos três primeiros dias do mês de Shaual (março/abril), ao final do jejum do mês de Ramadan , comemora a revelação do Alcorão. Celebra-se ainda a Hégira, o Ano-novo do calendário muçulmano, no dia 1º do mês de Al-Moharam (junho/julho), e o aniversário de nascimento do Profeta, no dia 12 do mês de Rabi'I (agosto/setembro).

Calendário muçulmano - Mede o ano pelas 12 revoluções completas da Lua em torno da Terra e é, em média, 11 dias menor do que o ano solar. A hégira, fuga de Maomé de Meca, marca o Ano-novo.

DIVISÕES DO ISLAMISMO

Os muçulmanos estão divididos em dois grandes grupos, os sunitas e os xiitas. Essas tendências surgem da disputa pelo direito de sucessão a Maomé. A divergência principal diz respeito à natureza da chefia: para os xiitas, o líder da comunidade (imã) é herdeiro e continuador da missão espiritual do Profeta; para os sunitas, é apenas um chefe civil e político, sem autoridade espiritual, a qual pertence exclusivamente à comunidade como um todo (umma). Sunitas e xiitas fazem juntos os mesmos ritos e seguem as mesmas leis (com diferenças irrelevantes), mas o conflito político é profundo.

Sunitas - Os sunitas são os partidários dos califas abássidas, descendentes de all-Abbas, tio do Profeta. Em 749, eles assumem o controle do Islã e transferem a capital para Bagdá. Justificam sua legitimidade apoiados nos juristas (alim, plural ulemás) que sustentam que o califado pertenceria aos que fossem considerados dignos pelo consenso da comunidade. A maior parte dos adeptos do islamismo é sunita (cerca de 85%). No Iraque a maioria da população é xiita.

Xiitas - Partidários de Ali, casado com Fátima, filha de Maomé, os xiitas não aceitam a direção dos sunitas. Argumentando que só os descendentes do Profeta são os verdadeiros imãs: guias infalíveis em sua interpretação do Corão e do Suna, graças ao conhecimento secreto que lhes fora dado por Deus. São predominantes no Irã e no Iêmen. A rivalidade histórica entre sunitas e xiitas se acentua com a revolução iraniana de 1979 que, sob a liderança do aiatolá Khomeini (xiita), depõe o xá Reza Pahlevi e instaura a República islâmica do Irã.

Outros grupos - Além dos sunitas e xiitas, existem outras divisões do islamismo, entre eles os zeiitas, hanafitas, malequitas, chafeitas, bahais, sunitas, hambaditas. Algumas destas linhas surgem no início do Islã e outras são mais recentes. Todos esses grupos aceitam Alá como deus único, reconhecem Maomé como fundador do Islamismo e aceitam o Corão como livro sagrado. As diferenças estão na aceitação ou não da Suna como texto sagrado e no grau de observância das regras do Corão.

Cristianismo

Fundado por Jesus de Nazaré, um judeu da Galiléia, nascido quando Roma domina a Palestina e Augusto é o imperador. Segundo a tradição, aos 30 anos Jesus reúne discípulos e apóstolos e começa anunciar a boa nova (o evangelho, em grego): a realização das profecias sobre o Messias (Cristo, em grego) e a instauração do reinado de Deus sobre o mundo a partir de Israel. Considerado blasfemo, é submetido a um processo religioso e acusado de conspirar contra César. É crucificado quando Tibério é o imperador de Roma e Pôncio Pilatos o procurador da Judéia. Cinqüenta dias após sua morte, durante a festa de Pentecostes, os discípulos anunciam que ele ressuscitara e os enviara a pregar por todo o mundo a boa nova da salvação e do perdão dos pecados. Esse é considerado o início da difusão do Cristianismo.

Doutrina cristã - A fé cristã professa que o Deus revelado a Abraão, a Moisés e aos profetas envia à Terra seu filho como messias salvador. Ele nasce numa família comum, morre, ressuscita e envia o espírito santificador (Espírito Santo) para permanecer no mundo até o fim dos tempos. A mensagem cristã se baseia no anúncio da ressurreição de Cristo, na garantia de que a salvação é oferecida a todos os homens de todos os tempos e na mensagem da fraternidade, à semelhança do amor que o próprio Deus dedica a todos os homens.

Bíblia cristã - A Bíblia é composta pelo Antigo Testamento e pelo Novo Testamento. Este é formado pelos quatro Evangelhos com relatos sobre a vida, mensagem e milagres de Jesus, escritos entre 70 e 100 d.C. e atribuídos aos discípulos Mateus, Marcos, Lucas e João; o livro dos Atos dos apóstolos (enviados, em grego); as cartas atribuídas a Paulo e a outros discípulos; e o Apocalipse, que contém visões proféticas sobre o fim dos tempos, o julgamento final e a volta de Jesus.

Apóstolos de Jesus - Simão Pedro, André, Tiago (filho de Zebedeu), João, Felipe, Bartolomeu, Tomé, Mateus, Tiago (filho de Alfeu), Judas Tadeu, Simão Cananeu e Judas Iscariotes (depois substituído por Matias). São escolhidos pelo próprio Jesus entre todos os seus discípulos para divulgar o evangelho pelo mundo.

Expansão do cristianismo - Os discípulos espalham-se pelas regiões do Mediterrâneo, inclusive Roma, e fundam várias comunidades. Nos três primeiros séculos, os cristãos sofrem grandes perseguições, primeiro das autoridades religiosas do judaísmo e, a partir do século 1º d.C., dos romanos. Durante o reinado dos imperadores Nero, Trajano, Marco Aurélio, Décio e Diocleciano, milhares de cristãos são mortos por se recusarem a adorar os deuses do Império e a reconhecer a divindade do imperador. Em 313 o imperador Constantino converte-se ao cristianismo, que expande-se por todo o Império. Até o século XI, duas grandes tradições convivem no interior do cristianismo: a latina, no Império Romano do Ocidente, com sede em Roma, e a bizantina, no Império romano do Oriente, com sede em Constantinopla (antiga Bizâncio e atual Istambul). Em 1054, controvérsias teológicas, entre elas a da doutrina da Santíssima Trindade, provocam a ruptura entre as igrejas do Oriente e do Ocidente, que se excomungam mutuamente. O ato só é anulado em 1965, em encontro entre o patriarca oriental Atenágoras I e o papa Paulo VI.

Igreja cristã - Desde o início o cristianismo organiza-se como igreja (do grego ekklesía, reunião), sob a autoridade dos apóstolos e dos seus sucessores. Estes nomeiam anciãos (presbíteros, em grego) para dirigir as novas comunidades. Muito cedo surgem os grupos de servidores (diáconos, em grego) para a assistência aos pobres das comunidades. Aos poucos se estrutura uma hierarquia: os reponsáveis pelas comunidades são os bispos (do grego, episcopos, supervisor) auxiliados pelos presbíteros e diáconos.

Festas cristãs - As principais festas são ligadas à vida de Jesus: os católicos celebram o Natal, nascimento de Jesus (25 de dezembro) e os ortodoxos celebram a Epifania, manifestação de Jesus a todos os povos, relacionada com a visita dos Reis Magos (6 de janeiro). A Semana Santa inclui a celebração da Eucaristia (5ª feira), a memória da morte de Jesus (6ª feira) e a festa da ressurreição ou Páscoa (domingo). O Pentecostes, celebrado 50 dias após a Páscoa, comemora a vinda do Espírito Santo. Corpus Christi ou festa do Corpo de Cristo, introduzida no século XII, celebra a presença real de Jesus na Eucaristia.

CRISTIANISMO ORTODOXO

Menos rígido nas formulações dogmáticas, valoriza a liturgia, não aceita uma centralização excessiva e é mais flexível na concepção da estrutura hierárquica da igreja. É porém menos aberto ao diálogo com a filosofia e com as ciências e mais rigoroso nas exigências morais. A partir da ruptura com a igreja ocidental, passa a chamar-se Cristianismo ortodoxo (em grego, reta opinião) e se afirma mais fiel à mensagem cristã primitiva. Os ortodoxos se desenvolvem em torno das quatro sedes antigas, chamadas de patriarcados: Jerusalém, Alexandria, Antioquia e Constantinopla. Mais tarde, são incorporados os patriarcados de Moscou (1589), de Bucareste (1925) e da Bulgária (1953), além das igrejas autônomas nacionais da Grécia, Sérvia, Geórgia, Chipre e da América do Norte. As igrejas ortodoxas reúnem mais de 170 milhões de fiéis em todo o mundo.

Liturgia do cristianismo ortodoxo - Os rituais da igreja ortodoxa são cantados, mas não se usam instrumentos musicais. Veneram-se os ícones e as relíquias dos santos, mas são proibidas imagens esculpidas, exceto o crucifixo. Os sacramentos pelos quais os fiéis entram em comunhão com Deus e entre si são os mesmos da Igreja Romana: o batismo, eucaristia, crisma (ou confirmação da fé, dado junto com o batismo), a penitência (ou confissão, dada antes da eucaristia), o matrimônio, a ordenação sacerdotal e a unção dos enfermos. Os sacramentos dados na Igreja Ortodoxa são válidos na Romana, e vice-versa. Os sacerdotes podem casar-se (antes da ordenação), mas não os monges. Os bispos são escolhidos entre os sacerdotes e monges celibatários.

CRISTIANISMO OCIDENTAL

Desenvolve-se em torno de Roma, reivindica o título de católico (do grego, universal) e o primado sobre as outras sedes do cristianismo, argumentando a primazia de Pedro no grupo dos apóstolos. Da conversão de Constantino no século IV até meados do século XVI, a história do catolicismo está intimamente associada à história do Império Romano e dos reinos em que se divide. Sua expansão também está vinculada à expansão da civilização ocidental e ao processo de dominação e aculturação de povos de outras culturas.

Organização da Igreja - A Igreja Católica estrutura-se em regiões geográficas autônomas, as dioceses, dirigidas pelos bispos, vinculados organicamente ao bispo de Roma, o papa. Desde a Idade Média, os papas são eleitos por um grupo de bispos, os cardeais. Atualmente há cerca de 120 cardeais no mundo inteiro, e João Paulo II é o 262º sucessor de Pedro, apóstolo e primeiro papa.

Expansão do cristianismo ocidental - Uma das bases de expansão do catolicismo romano são os mosteiros, comunidades de homens ou de mulheres dedicados inteiramente à oração e ao trabalho e, a partir do século XIII, os conventos de frades e freiras. No período das grandes navegações e descobrimentos, após o século XV, as ordens monásticas e religiosas exercem papel decisivo na difusão do catolicismo na Ásia e nas Américas. Calcula-se em 900 milhões o número de católicos no mundo inteiro.

Liturgia do cristianismo ocidental - Por séculos, o latim é a língua usada para as celebrações litúrgicas. Após o II Concílio do Vaticano (1962-1965) é permitido o uso das línguas locais. Além do canto, a liturgia inclui instrumentos musicais. Os sacramentos são os mesmos da igreja ortodoxa, mas a crisma e a penitência são ministrados separadamente do batismo e da eucaristia. O casamento de sacerdotes é proibido desde a Idade Média. As mulheres não são admitidas ao sacerdócio ordenado (na Igreja Ortodoxa também não).

REFORMA

No século XVI surge entre os católicos um movimento que reivindica a reaproximação da Igreja do espírito do cristianismo primitivo. A resistência da hierarquia da Igreja leva os reformadores a constituírem confissões independentes. Os principais reformadores são Martinho Lutero e João Calvino, no século XVI. A Reforma difunde-se rapidamente na Alemanha, Suíça, França, Holanda, Escócia e Escandinávia. No século XVI surge a Igreja Anglicana e, a partir do século XVII, as igrejas Batista, Metodista e Adventista. As igrejas nascidas da Reforma reúnem cerca de 450 milhões de fiéis em todo o mundo.

Doutrinas dos reformadores - Os pontos centrais da doutrina de Lutero são a justificação de Deus só pela fé e o acesso ao sacerdócio para todos os fiéis. Calvino acrescenta a doutrina da predestinação dos fiéis. As diferenças doutrinais entre os dois dão origem a duas grandes correntes: os luteranos e os calvinistas. A Reforma abole a hierarquia e institui os pastores como ministros das igrejas. As mulheres têm acesso ao ministério e os pastores podem se casar. A liturgia é simplificada e os sacramentos praticados são o batismo e a ceia.

Martinho Lutero (1483-1546) nasce em Eisleben, Alemanha, numa família camponesa. Em 1501 ingressa na Universidade de Erfurt, onde estuda artes, lógica, retórica, física e filosofia e especializa-se em matemática, metafísica e ética. Entra para o mosteiro dos eremitas agostinianos de Erfurt em 1505, torna-se sacerdote e teólogo. Denuncia as deformações da vida eclesiástica em 1517. Acusado de herege, é excomungado pelo papa Leão X e banido por Carlos V, imperador da Alemanha, em 1521. Escondido no castelo de Wartburg e apoiado por setores da nobreza, traduz para o alemão o Novo Testamento. Abandona o hábito de monge e casa-se com a ex-freira Catarina von Bora, em 1525.

João Calvino (1509-1564) nasce em Noyon, França, filho de um secretário do bispado de Noyon. Em 1523 ingressa na Universidade de Paris, estuda latim, filosofia e dialética. Forma-se em direito e, em 1532, publica Dois livros sobre a clemência ao imperador Nero, obra que assinala sua adesão à Reforma. Em 1535, já é considerado chefe do protestantismo francês. Perseguido pelas autoridades católicas refugia-se em Genebra. Organiza uma nova igreja, com pastores eleitos pelo povo, e o Colégio Genebra, que se torna um dos centros universitários mais famosos da Europa.

Reforma na Inglaterra - Começa em 1534 com o rompimento do rei da Inglaterra, Henrique VIII, com a Igreja Católica. O rei passa a ser o chefe supremo da Igreja Anglicana ou Episcopal e o seu líder espiritual é o arcebispo de Canterbury. Da Inglaterra, difunde-se para as colônias, especialmente na América do Norte. As igrejas Católica e Anglicana são semelhantes quanto à profissão de fé, a liturgia e os sacramentos, mas a igreja episcopal não reconhece a autoridade do papa e admite mulheres como sacerdotes. A primeira mulher a exercer o ministério episcopal é a reverenda Barbara Harris, da diocese de Massachusetts (EUA), consagrada em 1989.

Pentecostalismo - Surge em 1906 no interior das igrejas reformadas dos EUA e difunde-se rapidamente pelos países do Terceiro Mundo. Os primeiros missionários do pentecostalismo chegam ao Brasil em 1910 e rapidamente conquistam grande número de fiéis. As igrejas pentecostais são as que mais crescem na América Latina. Dão ênfase à pregação do Evangelho, às orações coletivas, feitas em voz alta por todos os fiéis; aos rituais de exorcismos e de curas, realizados em grandes concentrações públicas. A seita mais difundida no Brasil é a Igreja Universal do Reino de Deus.

PROFETA MAOMÉ



No século V, a Arábia encontrava-se menos isolada do que se supunha. Era percorrida por caravanas, mercadores e expedições militares, que lhe levavam influências helênicas, persas e indianas. Os nativos que se situavam ao sul cultuavam deuses personificados por planetas.
Os árabes do norte acreditavam numa série de espíritos, de diversos níveis evolutivos, os djinns, que representavam por árvores e pedras. Nessas duas crenças, todavia, as divindades subordinavam-se a um Deus Supremo - Alá - e eram cultuados como seres de uma hierarquia divina, e não como deuses de religião politeísta. A justiça era regida pela Lei de Talião e preconizava-se a vingança solidária de clã a clã. O núcleo das atividades comerciais e religiosas era a cidade de Meca, importante, por constituir posto de água para as caravanas e situar-se numa encruzilhada que levava ao Iêmen, Egito, Síria e Mesopotâmia. A partir do século V Meca ficou sob o domínio da tribo Qoraysh. Qosavy, um de seus membros, mandou edificar a Caaba (casa de Deus), transformando a cidade num grnade centro de peregrinação.
Nesse santuário foram reunidas as divindades de todas as seitas do país, permitindo que cada um cultuasse a que de sua crença. O recinto foi declarado sagrado e inviolável, e instituiram o povo de Qoraysh como guardiães. Em fins do século VI a Arábia já demonstrava alguma tendência para a unidade, tanto na áera religiosa quanto na política e comercial. Esse predisposição foi transformada em realidade por Maomé. Não existem dados históricos sobre a vida desse grande líder. Sua biografia baseia-se nos hadith, conhecidos como
Conversas-de-Mesa de Maomé, vasta coleção de orientações e narrações deixadas por ele, que formaram as máximas da tradição muçulmana. Pouco se conhece da juventude e das práticas religiosas de Maomé. Devia possuir qualidades morais e grande inteligência, apesar de analfabeto, visto que aos 20 anos foi escolhido pela viúva Kadidja como homem de confiança para acompanhar suas caravanas à Síria. Em seguida ela lhe propôs casamento, união que se efetuo cinco anos depois. Apesar dos árabes adotarem a poligamia, Maomé não possuiu outra esposa enquanto sua primeira mulher viveu. Depois casou-se duas vezes. Recebeu revelações
espirituais, provenientes de uma série de retiros, visto que se dedicava muito à atividade espiritual. Em 631 resolveu divulgar tais revelações. Devido a oposição dos Qorayshita, não consegui converter os cidadãos de Meca durante os 10 anos que ali pregou. Tronou-se alvo de sarcasmo e injúria, coisa que culminou em uma conspiração para assassiná-lo, no ano 619, quando perdeu a esposa e o tio que o criara. Em 620, seis peregrinos aderiram as suas idéias, influenciando e convertendo outras pessoas. Em 24 de setembro de 622, perseguido e ameaçado, partiu para Yatrib. O dia de sua fuga, chamado Hidjra ou Héjira (emigração), tornou-se tão importante para os islamitas que passaram a calcular o tempo a partir dessa data, A.H., Ano Héjira, ou Ano da Fuga. Em Yatrib teve início uma fase decisiva da religião. Maomé promoveu a integração dos diversos grupos e tribos que aderiram a ele, com a obrigação de se submeterem a sua autoridade. No ano 630 regressou a Meca, com um exército de 10 mil homens, para impôr religião. Vitorioso, dirigiu-se à Caaba, em torno da qual deu 7 voltas, e tocou na pedra preta com seu bastão. Mandou derrubar os ídolos erguidos, apagar os afrescos que representavam os profetas bíblicos, poupando apenas as imagens de Abraão, de Jesus e da Virgem Maria. Declarou sagrado o santuário, confiando a guarda à Otman ibn Talha, e concedeu liberdade aos habitantes da cidade, que numa cerimônia de juramento, prometeram-lhe obediência e fidelidade. Em 10 de março de 632, embora doente, fez a peregrinação de adeus a Meca, cumpriu todos os ritos para ficarem bem definidos e proferiu seu último sermão no monte Arafat. Declarou sagrado o território de Meca e o mês da peregrinação. Exortou os árabes a permanecerem unidos após sua morte. Proclamou alguns direitos e deveres em relação
ao casamento e ao comércio. Durante sua liderança extinguiu a Lei de Talião, fixou o ano em 12 meses lunares e proibiu a usura, ou seja, o empréstimo a juros. Morreu em 08 de junho de 632. Seus escriba e filho adotivo Thalit transcreveu seus documentos para um livro que foi chamado Kitab Allah, Livro de Alá, mais conhecido como Corão ou Al Corão. Esta obra só foi terminada após 20 anos de iniciada. Consiste em 114 souras ou capítulos. Depois de algumas brigas entre califas, houve o chamado Grande Cisma. Os seguidores se dividiram, uns ficando conhecidos como Karidjiitas, outros como sendo do partido Shia, de onde deriva o nome Xiismo
ou Chiismo. A princípio so crentes se denominavam de mumim (fiel), e mais tarde de muslim(submisso), de onde veio a palavra muçulmano. Nunca possuiram quadro religioso no sentido de composição eclesiástica. Sempre dispensaram guia espiritual, por considerarem claramente expressos no AlCorão todos os ensinamentos. A hierarquia consistia de jurista e não de teólogos e sacerdotes. O aparecimento das duas maiores seitas muçulmanas, sunitas e xiitas, deu-se pela discordância sobre a sucessão do califado. A maioria é sunita. Não se
veja nessa divergência apenas fatores religiosos, mas temporais, vez que os califas obtinham enormes vantagens nas guerras de conquistas. Os cinco pilares da fé constituem obrigações que nenhum muçulmano pode deixar de observar:

1- A narração do Kalima - ou seja, a confissão: "Há um só Deus e Maomé é o Seu Profeta".

2 - Os cinco períodos diários de oração - antes do nascer do sol,ao meio-dia, imediatamente
antes e depois do pôr do sol e à primeira vigília da noite.

3- A prática da caridade - Não só a esmola, mas bem como hospitalidade com hóspedes e viajantes.

4 - O jejum durante o mês de Ramadan .

5 - A peregrinação a Meca - obrigação mais solene para os fiéis. Até hoje tal cerimonial se
mantém inalterado, nos mínimos detalhes.
 

 

   
  Dança do Ventre
 

   

 

voltar