A cultura brasileira reflete os
vários povos que constituem a
demografia desse país sul-americano:
indígenas, europeus, africanos,
asiáticos, árabes etc. Como
resultado da intensa miscigenação e
convivência dos povos que
participaram da formação do Brasil
surgiu uma realidade cultural
peculiar, que inclui aspectos das
várias culturas. Cultura pode ser
definida como o conjunto formado
pela linguagem, crenças, hábitos,
pensamento e arte de um povo. Outra
definição de cultura se refere mais
estritamente às artes de caráter
mais erudito: literatura, pintura,
escultura, arquitetura e artes
decorativas.
Objetivo Geral: Valorizar as
culturas que constituem a cultura
brasileira.
1 Formação da
cultura brasileira
O substrato básico da
cultura brasileira formou-se durante
os séculos de colonização, quando
ocorre a fusão primordial entre as
culturas dos indígenas, dos europeus,
especialmente portugueses, e dos
escravos trazidos da África
subsahariana. A partir do século
XIX, a imigração de europeus
não-portugueses e povos de outras
culturas, como árabes e asiáticos,
adicionou novos traços ao panorama
cultural brasileiro. Também foi
grande a influência dos grandes
centros culturais do planeta, como a
França, a Inglaterra e, mais
recentemente, dos Estados Unidos,
países que exportam hábitos e
produtos culturais para o resto do
globo.
1.1 Os portugueses
Dentre os diversos povos
que formaram o Brasil, foram os
europeus aqueles que exerceram maior
influência na formação da cultura
brasileira, principalmente os de
origem portuguesa. Durante 322 anos
o território foi colonizado por
Portugal, o que implicou a
transplantação tanto de pessoas
quanto da cultura da metrópole para
as terras sul-americanas. O número
de colonos portugueses aumentou
muito no século XVIII, na época do
Ciclo do Ouro. Em 1808, a própria
corte de D. João VI mudou-se para o
Brasil, um evento com grandes
implicações políticas, econômicas e
culturais. A imigração portuguesa
não parou com a Independência do
Brasil: Portugal continuou sendo uma
das fontes mais importantes de
imigrantes para o Brasil até meados
do século XX. A mais evidente
herança portuguesa para a cultura
brasileira é a língua portuguesa,
atualmente falada por virtualmente
todos os habitantes do país. A
religião católica, credo da maioria
da população, é também decorrência
da colonização. O catolicismo,
profundamente arraigado em Portugal,
legou ao Brasil as tradições do
calendário religioso, com suas
festas e procissões. As duas festas
mais importantes do Brasil, o
carnaval e as festas juninas, foram
introduzidas pelos portugueses. Além
destas, vários folguedos
regionalistas como as cavalhadas, o
bumba-meu-boi, o fandango e a farra
do boi denotam grande influência
portuguesa. No folclore brasileiro,
são de origem portuguesa a crença em
seres fantásticos como a cuca, o
bicho-papão e o lobisomem, além de
muitas lendas e jogos infantis como
as cantigas de roda. Na culinária,
muitos dos pratos típicos
brasileiros são o resultado da
adaptação de pratos portugueses às
condições da colônia. Um exemplo é a
feijoada brasileira, resultado da
adaptação dos cozidos portugueses.
Também a cachaça foi criada nos
engenhos como substituto para a
bagaceira portuguesa, aguardente
derivada do bagaço da uva. Alguns
pratos portugueses também se
incorporaram aos hábitos brasileiros,
como as bacalhoadas e outros pratos
baseados no bacalhau.
Os portugueses introduziram
muitas espécies novas de plantas na
colônia, atualmente muito
identificadas com o Brasil, como a
jaca e a manga. De maneira geral, a
cultura portuguesa foi responsável
pela introdução no Brasil colônia
dos grandes movimentos artísticos
europeus: renascimento, maneirismo,
barroco, rococó e neoclassicismo.
Assim, a literatura, pintura,
escultura, música, arquitetura e
artes decorativas no Brasil colônia
denotam forte influência da arte
portuguesa, por exemplo nos escritos
do jesuíta luso-brasileiro Padre
Antônio Vieira ou na decoração
exuberante de talha dourada e
pinturas de muitas igrejas coloniais.
Essa influência seguiu após a
Independência, tanto na arte popular
como na arte erudita.
1.2 Os indígenas
A colonização do território
brasileiro pelos europeus
representou em grande parte a
destruição física dos indígenas
através de guerras e escravidão,
tendo sobrevivido apenas uma pequena
parte das nações indígenas originais.
A cultura indígena foi também
parcialmente eliminada pela ação da
catequese e intensa miscigenação com
outras etnias. Atualmente, apenas
algumas poucas nações indígenas
ainda existem e conseguem manter
parte da sua cultura original.
Apesar disso, a cultura e os
conhecimentos dos indígenas sobre a
terra foram determinantes durante a
colonização, influenciando a língua,
a culinária, o folclore e o uso de
objetos caseiros diversos como a
rede de descanso. Um dos aspectos
mais notáveis da influência indígena
foi a chamada língua geral (Língua
geral paulista, Nheengatu), uma
língua derivada do Tupi-Guarani com
termos da língua portuguesa que
serviu de lingua franca no interior
do Brasil até meados do século
XVIII, principalmente nas regiões de
influência paulista e na região
amazônica. O português brasileiro
guarda, de fato, inúmeros termos de
origem indígena, especialmente
derivados do Tupi-Guarani. De
maneira geral, nomes de origem
indígena são frequentes na
designação de animais e plantas
nativos (jaguar, capivara, ipê,
jacarandá, etc), além de serem muito
frequentes na toponímia por todo o
território. A influência indígena é
também forte no folclore do interior
brasileiro, povoado de seres
fantásticos como o curupira, o
saci-pererê, o boitatá e a iara,
entre outros. Na culinária
brasileira, a mandioca, a erva-mate,
o açaí, a jabuticaba, inúmeros
pescados e outros frutos da terra,
além de pratos como os pirões,
entraram na alimentação brasileira
por influência indígena. Essa
influência se faz mais forte em
certas regiões do país, em que esses
grupos conseguiram se manter mais
distantes da ação colonizadora,
principalmente em porções da Região
Norte do Brasil.
1.3 Os africanos
A cultura africana chegou
ao Brasil com os povos escravizados
trazidos da África durante o longo
período em que durou o tráfico
negreiro transatlântico. A
diversidade cultural da África
refletiu-se na diversidade dos
escravos, pertencentes a diversas
etnias que falavam idiomas
diferentes e trouxeram tradições
distintas. Os africanos trazidos ao
Brasil incluíram bantos, nagôs e
jejes, cujas crenças religiosas
deram origem às religiões
afro-brasileiras, e os hauçás e
malês, de religião islâmica e
alfabetizados em árabe. Assim como a
indígena, a cultura africana foi
geralmente suprimida pelos
colonizadores. Na colônia, os
escravos aprendiam o português, eram
batizados com nomes portugueses e
obrigados a se converter ao
catolicismo.
Os africanos contribuíram para a
cultura brasileira em uma enormidade
de aspectos: dança, música,
religião, culinária e idioma. Essa
influência se faz notar em grande
parte do país; em certos estados
como Bahia, Maranhão, Pernambuco,
Alagoas, Minas Gerais, Rio de
Janeiro, São Paulo e Rio Grande do
Sul a cultura afro-brasileira é
particularmente destacada em virtude
da migração dos escravos.
Os bantos, nagôs e jejes no Brasil
colonial criaram o candomblé,
religião afro-brasileira baseada no
culto aos orixás praticada
atualmente em todo o território.
Largamente distribuída também é a
umbanda, uma religião sincrética que
mistura elementos africanos com o
catolicismo e o espiritismo,
incluindo a associação de santos
católicos com os orixás.
A influência da cultura africana é
também evidente na culinária
regional, especialmente na Bahia,
onde foi introduzido o dendezeiro,
uma palmeira africana da qual se
extrai o azeite-de-dendê. Este
azeite é utilizado em vários pratos
de influência africana como o vatapá,
o caruru e o acarajé.
Na música a cultura africana
contribuiu com os ritmos que são a
base de boa parte da música popular
brasileira. Gêneros musicais
coloniais de influência africana,
como o lundu, terminaram dando
origem à base rítmica do maxixe,
samba, choro, bossa-nova e outros
gêneros musicais atuais. Também há
alguns instrumentos musicais
brasileiros, como o berimbau, o
afoxé e o agogô, que são de origem
africana. O berimbau é o instrumento
utilizado para criar o ritmo que
acompanha os passos da
capoeira, mistura de dança e
arte marcial criada pelos escravos
no Brasil colônial.
1.4 Os
imigrantes
A maior parte da população
brasileira no século XIX era
composta por negros e mestiços. Para
povoar o território, suprir o fim da
mão-de-obra escrava mas também para
"branquear" a população e cultura
brasileiras, foi incentivada a
imigração da Europa para o Brasil
durante os séculos XIX e XX.
Dentre os diversos grupos
de imigrantes que aportaram no
Brasil, foram os italianos que
chegaram em maior número, quando
considerada a faixa de tempo entre
1870 e 1950. Eles se espalharam
desde o sul de Minas Gerais até o
Rio Grande do Sul, sendo a maior
parte na região de São Paulo. A
estes se seguiram os portugueses,
com quase o mesmo número que os
italianos. Destacaram-se também os
alemães, que chegaram em um fluxo
contínuo desde 1824. Esses se
fixaram primariamente na Região Sul
do Brasil, onde diversas regiões
herdaram influências germânicas
desses colonos. Os imigrantes que se
fixaram na zona rural do Brasil
meridional, vivendo em pequenas
propriedades familiares (sobretudo
alemães e italianos), conseguiram
manter seus costumes do país de
origem, criando no Brasil uma cópia
das terras que deixaram na Europa.
Alguns povoados fundados por colonos
europeus mantiveram a língua dos
seus antepassados durante muito
tempo.
Em contrapartida, os
imigrantes que se fixaram nas
grandes fazendas e nos centros
urbanos do Sudeste (portugueses,
italianos, espanhóis e
árabes), rapidamente se
integraram na sociedade brasileira,
perdendo muitos aspectos da herança
cultural do país de origem. A
contribuição asiática veio com a
imigração japonesa, porém de forma
mais limitada. De maneira geral, as
vagas de imigração européia e de
outras regiões do mundo
influenciaram todos os aspectos da
cultura brasileira. Na culinária,
por exemplo, foi notável a
influência italiana, que transformou
os pratos de massas e a pizza em
comida popular em quase todo o
Brasil. Também houve influência na
língua portuguesa em certas regiões,
especialmente no sul do território.
Nas artes eruditas a influência
européia imigrante foi fundamental,
através da chegada de imigrantes
capacitados em seus países de origem
na pintura, arquitetura e outras
artes.
2 Artes
As artes chamadas eruditas, de
origem européia, tem seu início no
período colonial, durante o qual
foram introduzidos os movimentos
artísticos europeus como o
renascimento, maneirismo, barroco,
rococó e neoclassicismo. Durante
esse período a arte realizada na
colônia esteve intimamente ligada à
arte portuguesa, muitas vezes porém
com "sotaque" brasileiro, como por
exemplo nas esculturas de Antônio
Francisco Lisboa, o Aleijadinho, nas
igrejas de planta curvilínea na
Minas Gerais setecentista ou nos
anjos mulatos das pinturas de Manuel
da Costa Ataíde. No século XIX, a
chegada da chamada Missão Artística
Francesa e a criação da Escola de
Belas Artes no Rio de Janeiro deu
origem ao ensino acadêmico das artes
no Brasil, influenciando a arte
brasileira até os inícios do século
XX. Nessa época inicia-se uma arte
mais nacionalista, evidenciada por
exemplo na literatura e pintura de
caráter romântico, que valorizavam
aspectos distintivos do jovem país,
como os indígenas e eventos
históricos. De maneira geral, as
artes no Brasil seguiam as correntes
européias, particularmente os
movimentos da arte francesa. Assim,
ao longo do século XIX, sucedeu-se
na literatura o Realismo, o
Naturalismo, o Simbolismo e o
Parnasianismo, com escritores do
porte de Machado de Assis, Euclides
da Cunha e muitos outros. As artes
plásticas do século XIX foram, de
maneira geral, dominadas pelo
academicismo e imbuídas de um
espírito nacionalista, como se vê
nas pinturas historicistas de Pedro
Américo e Vítor Meireles e nas
esculturas de Rodolfo Bernardelli.
No século XX ocorre uma renovação da
arte brasileira dentro do movimento
Modernista. Um dos eventos
essenciais na difusão dos novos
ideias foi a Semana de Arte Moderna
de 1922, que contou com a
participação de Mário de Andrade,
Oswald de Andrade, Manuel Bandeira,
Menotti Del Picchia, Di Cavalcanti,
Anita Malfatti e Villa-Lobos, entre
outros. De maneira geral, estes e
outros artistas valorizavam as artes
populares e buscaram a criação de
uma arte genuinamente brasileira
através da recriação das artes
européias. A partir dessa época, as
artes plásticas desenvolvem-se com
mais liberdade formal no Brasil. Na
arquitetura, uma renovação
semelhante ocorre a partir da década
de 1940 com a incorporação das
idéias de Le Corbusier na obra de
arquitetos como Oscar Niemeyer,
Lucio Costa e outros.
+ detalhes
2.1 Literatura
As primeiras manifestações
literárias no país são relatos
descritivos sobre o território
inseridos no contexto do
descobrimento e início da
colonização, das quais a mais
célebre é a carta de Pêro Vaz de
Caminha (1500), descrevendo o
encontro entre portugueses e os
indígenas. A produção literária no
Brasil ganha impulso no período
barroco, em que se destacam o poeta
Gregório de Matos (1636-1696) e o
jesuíta Padre Antônio Vieira
(1608-1697). No século XVIII surge o
Arcadismo, em que se destacam
autores como Cláudio Manuel da Costa
(1729-1789), Tomás Antônio Gonzaga
(1744-1810) e Basílio da Gama
(1740-1795). Após a Independência, a
literatura brasileira, de maneira
geral, seguiu os movimentos europeus
ao longo dos séculos XIX e ínicio do
XX. A preocupação em produzir uma
literatura nacional começa com
escritores românticos como José de
Alencar (1829-1877) e Gonçalves Dias
(1823-1864), que buscam temáticas
brasileiras como o indigenismo e o
regionalismo. O Romantismo é
sucedido pelo Realismo e o
Naturalismo, em que despontam
autores como Aluísio Azevedo
(1857-1913) e Machado de Assis
(1839-1908), este último por muitos
considerado o maior escritor do
século XIX no Brasil. No Simbolismo
destacou-se o poeta Cruz e Sousa
(1861-1898) e no Parnasianismo Olavo
Bilac (1865-1918). No início do
século XX desponta o Modernismo,
destacando-se nesse contexto o
Movimento antropofágico e seus
promotores na literatura e artes em
geral, como os escritores Mário de
Andrade (1893-1945) e Oswald de
Andrade (1890-1954). O movimento têm
por princípio rejeitar os valores
europeus e buscar aquilo que é
genuinamente nacional, digerindo a
cultura estrangeira e devolvendo-a
sintetizada à nacional. Outros nomes
importantes foram os poetas Manuel
Bandeira e Menotti del Picchia. A
partir disso surge uma segunda
geração de escritores que valorizam
o regionalismo e a literatura
socialmente engajada, com
representantes como Jorge Amado,
Cecília Meireles, Carlos Drummond de
Andrade, Graciliano Ramos, Érico
Veríssimo e muitos outros. Mais
tarde surgem outros grandes
escritores mais difíceis de
classificar, de grande profundidade
psicológica, como Clarice Lispector,
Guimarães Rosa e João Cabral de Melo
Neto, estes dois últimos com
tendências regionalistas.
+ detalhes
2.2 Artes visuais
Durante o período colonial o mais
destacado das artes plásticas foi a
escultura em talha dourada de
tradição portuguesa que decorava o
interior de edifícios religiosos.
Nesse campo sobressaem escultores
como Francisco Xavier de Brito
(m.1751), Valentim da Fonseca e
Silva, o Mestre Valentim
(c.1745-1813) e Antônio Francisco
Lisboa, o Aleijadinho (1730-1814),
este último responsável por talvez a
maior obra escultória do período
colonial: as estátuas dos profetas
no adro do Santuário de Congonhas.
Na pintura foram máximos
representantes Manuel da Costa
Ataíde (1762-1830) e José Joaquim da
Rocha (1737-1807), autores de
pinturas ilusionistas de caráter
barroco-rococó nos forros de madeira
de igrejas mineiras e nordestinas.
Além destes, destaca-se também a
produção de artistas que durante o
período colonial registraram as
paisagens e hábitos locais, como
Albert Eckhout e Frans Post no
século XVII, Leandro Joaquim no
século XVIII - considerado o
primeiro pintor paisagista nascido
no Brasil - e Jean-Baptiste Debret
no século XIX. A pintura brasileira
do Século XIX é bastante acadêmica,
altamente influenciada pelo trabalho
da Missão Artística Francesa, da
qual faziam parte pintores como Jean
Baptiste Debret e Nicolas-Antoine
Taunay. A Escola de Belas Artes
fundada pelos membros da Missão
influenciou a arte acadêmica
brasileira do século XIX. Desse
período, destacam-se as pinturas
históricas de Vítor Meireles e Pedro
Américo. Já mais perto do final do
século surgiram pintores e
escultores filiados aos últimos
movimentos artísticos, importados da
França, como o Realismo (Almeida
Júnior), o Impressionismo, o
Simbolismo e a Art nouveau (Eliseu
Visconti).
+ detalhes
2.3 Música
Alguns dos gêneros musicais
populares, originários do Brasil
mais conhecidos são o Choro, o
Samba, a Bossa Nova e a Música
Popular Brasileira. Como chorões
podemos destacar Pixinguinha, Jacob
do Bandolim, Waldir Azevedo e
Altamiro Carrilho. Exemplos de
sambistas são Cartola e Noel Rosa. O
maestro Tom Jobim, o poeta Vinícius
de Moraes e João Gilberto, por outro
lado, são nomes conhecidos ligados à
Bossa Nova e cuja obra teve
repercussão internacional, tendo
sido gravada por nomes como Frank
Sinatra e Stan Getz. Posteriormente
à Bossa Nova, o movimento conhecido
como Tropicália também teve um papel
de destaque como música de vanguarda
e experimental. Mas o Brasil tinha
também um papel importante na
tradição clássica. Considera-se que
o primeiro grande compositor
brasileiro foi José Maurício Nunes
Garcia, contemporâneo de Mozart e
Beethoven. Carlos Gomes, autor da
ópera O Guarani, adaptação do
romance homônimo de José de Alencar,
foi o primeiro compositor brasileiro
a ter projeção internacional. No
século XX destaca-se o trabalho de
Heitor Villa-Lobos, responsável pela
assimilação pela música erudita de
diversos elementos da cultura
popular, como os violões e
determinados ritmos. Outros
compositores importantes, na linha
da música erudita são Guerra Peixe,
Cláudio Santoro e Camargo Guarnieri.
+ detalhes
2.4 Arquitetura
De maneira geral, a arquitetura
realizada durante o período colonial
em território brasileiro seguiu de
perto os modelos portugueses,
sucedendo-se o maneirismo (ou estilo
chão), o barroco, o rococó e o
neoclassicismo. No século XVIII, a
arquitetura ganha maior liberdade
formal em algumas obras religiosas
mais ousadas, realizadas nos grandes
centros artísticos coloniais como
Recife, Salvador, Belém do Pará, Rio
de Janeiro e Minas Gerais, que
contaram com arquitetos como José
Fernandes Pinto Alpoim, Antônio José
Landi, Francisco de Lima Cerqueira e
outros. Minas, em particular, se
destaca pela grande diversidade de
igrejas barrocas e rococós do
período, como na Igreja do Rosário
de Ouro Preto, o Santuário de
Congonhas, a Igrejas de São
Francisco de São João del-Rei e São
Francisco de Ouro Preto, estas
últimas com portadas esculpidas pelo
Aleijadinho. Já o século XIX, sob a
influência da Escola de Belas Artes
no Rio, foi dominado pela
arquitetura neoclássica, propagada
pelo professor da escola Grandjean
de Montigny e seus seguidores como
José Maria Jacinto Rebelo, Joaquim
Cândido Guilhobel e José Bethencourt
da Silva. Os finais do século XIX e
inícios do XX se caracterizam pela
arquitetura eclética e o
historicismo (neogótico,
neocolonial), como visto, por
exemplo, nos projetos do escritório
de Francisco de Paula Ramos de
Azevedo em São Paulo e na abertura
da antiga Avenida Central no Rio de
Janeiro. Em paralelo aos movimentos
art nouveau e art déco, a
arquitetura moderna teve seu início
em São Paulo na Casa Modernista
levantada por Gregori Warchavchik
para sua residência em 1928. A
partir daí a arquitetura moderna
aumenta sua influência e alcança um
ponto de inflexão na construção do
Palácio Capanema (1936-1945) no Rio
de Janeiro, construído sob a
supervisão de Le Corbusier por uma
equipe composta pelos nomes que
fariam história na arquitetura
posterior, como Lucio Costa e Oscar
Niemeyer. Estes dois foram
responsáveis pelo ponto culminante
no movimento modernista, o desenho
urbanístico e projeto dos edifícios
de Brasília, inaugurada em 1960.
+ detalhes
3 Culinária
A culinária do Brasil é fruto de uma
mistura de ingredientes europeus,
indígenas e africanos. Muitas das
técnicas de preparo e ingredientes
são de origem indígena, tendo
sofrido adaptações por parte dos
escravos e dos portugueses. Esses
faziam adaptações dos seus pratos
típicos substituindo os ingredientes
que faltassem por correspondentes
locais. A feijoada, prato típico do
país, é um exemplo disso. Os
escravos trazidos ao Brasil desde
fins do século XVI, somaram à
culinária nacional elementos como o
azeite-de-dendê e o cuscuz. As levas
de imigrantes recebidas pelo país
entre os séculos XIX e XX, vindos em
grande número da Europa, trouxeram
algumas novidades ao cardápio
nacional e concomitantemente
fortaleceu o consumo de diversos
ingredientes. As bebidas destiladas
foram trazidas pelos portugueses ou,
como a cachaça, fabricadas na terra.
O vinho é também muito consumido,
por vezes somado à água e açúcar, na
conhecida sangria. A cerveja por sua
vez começou a ser consumida em fins
do século XVIII e é hoje uma das
bebidas alcoólicas mais comuns..
+ detalhes
4 Religião
O Brasil é um país religiosamente
diverso, com tendência de tolerância
e mobilidade entre as religiões. A
população brasileira é
majoritariamente cristã (89%), sendo
sua maior parte católica. Herança da
colonização portuguesa, o
catolicismo foi a religião oficial
do Estado até a Constituição
Republicana de 1891, que instituiu o
Estado laico. A mão de obra escrava,
vinda principalmente da África,
trouxe suas próprias práticas
religiosas, que sobreviveram à
opressão dos colonizadores, dando
origem às religiões afro-brasileiras.
Na segunda metade do século XIX,
começa a ser divulgado o espiritismo
no Brasil, que hoje é o país com
maior número de espíritas no mundo.
Nas últimas décadas, as religiões
protestantes têm crescido
rapidamente em número de adeptos,
alcançando atualmente uma parcela
significativa da população. Do mesmo
modo, aumenta o percentual daqueles
que declaram não ter religião, grupo
superado em número apenas pelos
católicos nominais e evangélicos.
Muitos praticantes das religiões
afro-brasileiras, assim como alguns
simpatizantes do espiritismo, também
se denominam "católicos", e seguem
alguns ritos da Igreja Católica.
Esse tipo de tolerância com o
sincretismo é um traço histórico
peculiar da religiosidade no país.
Seguem as descrições das principais
correntes religiosas brasileiras,
ordenadas pela porcentagem de
integrantes de acordo com o
recenseamento demográfico do IBGE em
2000.
+ detalhes
5 Folclore
O folclore brasileiro é um conjunto
de mitos, lendas, usos e costumes
transmitidos em geral oralmente
através das gerações com a
finalidade de ensinar algo, ou
meramente nascido da imaginação do
povo. Por ser o Brasil um país de
dimensões continentais, possui um
folclore bastante rico e
diversificado e suas histórias
enaltecem o conhecimento popular e
encantam os que as escutam.
+ detalhes
6 Referências
Cascudo, Luis da
Câmara. História da alimentação
no Brasil, p. 17. Belo
Horizonte: Ed. Itatiaia; São
Paulo: Ed. Da Universidade de
São Paulo, 1983.
Elias, Rodrigo.
Breve história da feijoada in
Nossa História, pp. 34-37, Ano
1, nº4. Editora Vera Cruz: São
Paulo, 2004.
7 Bibliografia
SODRÉ, Nelson
Werneck; Síntese de História da
Cultura Brasileira; São Paulo:
Bertrand Brasil, 2003; ISBN
8528602931
BOSI, Alfredo;
Cultura Brasileira: Temas e
Situações; São Paulo: Editora
Ática, 2002, ISBN 850801578X
MOTA, Carlos
Guilherme; Ideologia da Cultura
Brasileira (1933 - 1974); São
Paulo: Editora Ática; ISBN
8508000014